quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Bancários entre os que mais adquirem LER/Dort Palestra no Sindicato marca dia internacional de prevenção à doença

São Paulo - Dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) e do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) mostram uma realidade já conhecida na prática pelo Sindicato: são os trabalhadores do ramo financeiro que apresentam, proporcionalmente, o maior número de casos LER/Dort (Lesões por Esforços Repetitivos e Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho).

“Os números não são exatos. O INSS, por exemplo, só relaciona os trabalhadores que receberam o benefício. Mesmo assim, eles reforçam o que percebemos na prática. Ou seja, que o meio bancário, com a cobrança de metas inatingíveis, sobrecarga de trabalho, ritmo excessivo, pressão e assédio moral, é o que mais adoece os trabalhadores por LER/Dort”, afirma a médica sanitarista Maria Maeno, especialista em saúde do trabalhador e coordenadora da equipe que elaborou em 2006 o Protocolo de LER do Ministério da Saúde.

Em 2008, segundo a Pnad, mais de 69 mil trabalhadores do ramo financeiro disseram ter diagnóstico médico de tendinite ou tenossinovite, manifestações clínicas das LER/Dort.

De 2005 a 2008, 1.489 bancários receberam benefício por incapacidade causada por doenças do sistema musculoesquelético, segundo dados do INSS. A médica reforça que, apesar de alto, esse total não dá conta da realidade, já que diversos bancários com LER são “invisíveis” para a Previdência: “Não entram nas contas do INSS, as pessoas com LER que continuam trabalhando, e não entram os que tiveram o benefício negado.”

Nexo – Além disso, lembra a sanitarista, a subnotificação só diminuiu a partir de 2007, quando o INSS reconheceu que a categoria bancária era mais propensa a doenças do tipo, com a implementação do nexo técnico epidemiológico (NTEp). 

“Analisando seus próprios dados, o órgão reconheceu que algumas categorias de trabalhadores têm mais determinadas doenças do que outras, e que essas doenças estariam, portanto, relacionadas ao trabalho. A partir disso, o INSS determinou que deve ser concedido o auxílio-acidentário a todo bancário que apresente quadro de LER ou de doenças mentais, outro tipo de adoecimento muito comum na categoria”. 

Ainda assim, explica Maria Maeno, o perito do órgão tem a prerrogativa de julgar cada caso. “Não temos os dados dos casos (de bancários) que são descaracterizados pelos peritos e sem isso, não temos como saber se o nexo técnico-epidemiológico está sendo aplicado como deveria”, critica.
Para ela, apesar dos avanços como o Protocolo LER e o NTEp, o Estado brasileiro ainda não dá a atenção devida ao problema. “A saúde do trabalhador ainda não entra na equação que calcula o crescimento econômico. Ela merece mais atenção do governo e mais espaço na agenda de políticas públicas”, defende.

fONTE: SEEB SÃO PAULO

Lei estadual obriga bancos a colocar divisórias entre os caixas em São Paulo

  
Crédito: Seeb São Paulo
Seeb São PauloUma nova lei pode obrigar os bancos a colocar divisórias nos caixas (tanto nos eletrônicos quanto nos operados por funcionários), isolando quem faz saques dos outros clientes.

O projeto do deputado Vanderlei Siraque (PT) foi aprovado nesta terça 22 pela Assembleia Legislativa de São Paulo e tem por objetivo evitar a ação de olheiros dentro das agências e posteriores roubos nas ruas, chamada de crime da "saidinha" dos bancos. Para virar lei, o projeto depende da sanção do governador Geraldo Alckmin (PSDB).

Os biombos deverão ter no mínimo 1,8 m de altura e ser de material opaco, que impeça a visibilidade. De acordo com Siraque, a medida, se aprovada por Alckmin, terá de ser implantada em 90 dias. Em caso de descumprimento, o projeto prevê multa diária de R$ 8.725.


Fonte: Seeb São Paulo

Virada histórica elege candidatos da chapa Mãos dadas pelo Banesprev

  
Crédito: Afubesp
Afubesp
Eleito, Paulo Salvador comemora virada no Banesprev com banespianos 

Terminou por volta das 18h30 desta quarta-feira, dia 23, a apuração dos votos da eleição do Banesprev, que foi realizada no Esporte Clube Banespa. 

O resultado final aponta uma virada histórica dos candidatos da chapa Mãos dadas pelo Banesprev, apoiados pela Afubesp, Contraf-CUT e entidades sindicais, que foi conquistada com os votos feitos pela internet, bandeira defendida insistentemente pelos representantes das entidades há anos.

Paulo Salvador, no Conselho Deliberativo (de Administração) e Shisuka Sameshima, no Comitê de Investimentos, foram os mais votados e estão eleitos. 

Votos irregulares

A apuração para as diretorias financeira e para as segundas vagas do Conselho Deliberativo e Comitê de Investimentos pode mudar por conta dos votos que chegaram com data posterior ao encerramento oficial da eleição, dia 15 de fevereiro. 

Assim, há possibilidade de outros três candidatos da chapa Mãos dadas pelo Banesprev serem eleitos: Márcia Campos (Comitê de Investimentos), Rita Berlofa (Conselho Deliberativo) e Walter Oliveira (Diretoria Financeira).

Isto porque os votos irregulares - aqueles que foram carimbados pelos correios depois da data final estipulada no estatuto das eleições (15 de fevereiro) - podem sofrer impugnação.

A Afubesp, o Sindicato de São Paulo e os candidatos da lista "Mãos dadas pelo Banesprev" protocolaram reclamação formal sobre a prorrogação do prazo da eleição somente por correio. As entidades pediram que fosse também prorrogada votação pela internet, mas tiveram o pedido negado pelo Banesprev.

Embora tenha feito alteração na data final da eleição via correio, o fundo de pensão dos banespianos não procedeu os ajustes nos editais e nos comunicados, configurando um procedimento irregular. 

Votos pela internet fizeram a diferença

Todos os candidatos da chapa adversária estavam na frente até começar a contagem dos votos eletrônicos. "Houve uma explosão de votos para a nossa chapa vindos dos colegas que optaram pela internet", comentou Paulo Salvador, presidente da Afubesp, candidato mais votado para assumir uma vaga no Conselho Deliberativo. "Agradecemos muito a confiança dos colegas".

Confira o resultado final da apuração, incluindo os votos irregulares:

Conselho Deliberativo (de Administração)

Djalma Emidio Botelho - 7.691 votos - 24,71%
Rogério Fuzato Sanches - 609 votos - 1,96%
Rita de Cássia Berlofa - 7.548 votos - 24,25%
Alécio Pinheiro da Silva - 6.943 votos - 22,31%
Paulo Roberto Salvador - 7.832 votos - 25,16%
Brancos - votos 373 - 1,20 % 
Nulos - votos 130 - 0,42 %

Total: 31.126

Comitê de Investimentos

Shisuka Sameshima - 8.030 votos - 25,80%
Flávio Roberto Pelisson - 7.698 votos - 24,73%
Márcia Campos - 7.430 votos - 23,87%
Nivaldo Tonella - 7.444 votos - 23,92%
Brancos - 417 votos - 1,34% 
Nulos - 107 votos - 0,34%

Total: 31.126

Diretoria Administrativa

Ricardo Mitsouka - 8.574 votos - 55,09%
Salime Maria Couto - 6.832 votos - 43,90%
Brancos - 92 votos - 0,59% 
Nulos - 65 votos - 0,42%

Total: 15.563

Diretoria Financeira

Aderaldo Fandinho Carmona - 7.842 votos - 50,36%
Walter Antonio Alves Oliveira - 7.580 votos - 48,71%
Brancos - 79 votos - 0,51% 
Nulos - 62 votos - 0,40%

Total: 15.563


Fonte: Contraf-CUT com Afubesp

Bancários discutem jornada de 6h, PCR, assédio moral, Previ e Sesmt com o BB

  
Crédito: Aguinaldo Azvedo
Aguinaldo Azvedo
Por mais de três horas, a Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEE), coordenada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), negociou com a direção do banco uma pauta extremamente importante ao funcionalismo.

Durante a reunião, iniciada às 10h desta sexta-feira (18), o movimento sindical fez denúncia da ocorrência de uma prática coletiva de assédio moral nas dependências, cobrou a assinatura do acordo aditivo de combate ao assédio moral, apresentou propostas para negociação de revisão do Plano Previ Futuro e reivindicou a retomada da mesa de negociação do plano 1, e cobrou a implantação da carreira de mérito. Os trabalhadores também solicitaram ao BB que aprove mudança em seu estatuto para incluir um representante dos bancários no Conselho de Administração da instituição financeira.

Em relação ao Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho (Sesmt), os representantes dos trabalhadores voltaram a cobrar o concurso para completar o quadro de pessoal não preenchido com o processo de seleção interna. O negociador do banco José Roberto reconheceu que houve atraso no edital para a abertura do certame.

"Essa situação não pode se estender por mais tempo. A chamada Carreira Sesmt trará importantes melhorias para a saúde e segurança do conjunto do funcionalismo, uma vez que implanta serviços que garantem condições seguras de trabalho", afirma Eduardo Araújo, coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do BB e diretor do Sindicato.

Ao reivindicar mudanças no Previ Futuro, a CEE cobrou o resgate da parte 1 (contribuição para o benefício de risco) e das contribuições patronais, além da diminuição da parcela Previ. "Os funcionários pos-98 também precisam dessas mudanças justas e necessárias para aprimorar o plano Previ Futuro", observa Rafael Zanon, representante da Federação dos Trabalhadores em Empresas de Crédito do Centro Norte (Fetec-CN) na CEE e diretor do Sindicato. O banco ficou de agendar uma negociação específica para tratar apenas do Previ Futuro.

A CEE solicitou mudança no estatuto do BB para contemplar a eleição do representante dos funcionários no Conselho de Administração do banco. A reivindicação está de acordo com projeto de lei sancionado pelo então presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, que autoriza a inclusão dos trabalhadores nos conselhos de administração. Em resposta, o BB disse que aguarda a regulamentação do Departamento de Coordenação e Controle das Empresas Estatais (Dest) sobre o tema.

Carreira de mérito

O Plano de Carreiras e Remuneração (PCR) foi um dos assuntos abordados entre os representantes dos bancários e do BB. O negociador do banco informou que o BB vai cumprir o prazo e viabilizar a carreira de mérito até o final de março. Na folha de abril, segundo José Roberto, serão disponibilizados os reflexos. "Esperamos que o banco cumpra até 31 de março o que foi acordado durante a campanha nacional. E, assim, restabeleça a confiança da mesa de negociação, arranhada com o atraso na implantação do plano odontológico", avisa Eduardo Araújo. 

Ainda sobre o PCR, o negociador ressaltou que a pontuação por cargo será apresentada ao movimento sindical até a próxima semana. Serão consideradas substituições e reflexos aos sábados, domingos e feriados, a título de pontuação.

O funcionário que não tem a verba CTVF receberá a receita imediata ao alcançar a pontuação para o mérito. A Comissão de Empresa também reivindicou adiantamento para março aos bancários que têm valores a receber em relação ao PCR.

A CEE cobrou explicações do BB por ter se recusado a assinar acordo de assédio moral com a Contraf-CUT no último dia 26 de janeiro. O negociador do banco tentou justificar a ausência da instituição na assinatura do texto afirmando que o BB já possui um instrumento de combate ao mal: os comitês de ética. "Mesmo com os comitês, o banco poderia muito bem ter aderido ao acordo, assim como fizeram Bradesco, Itaú Unibanco, Santander, HSBC e Citibank. Não há conflito", critica Wagner Nascimento, secretário-geral do Sindicato dos Bancários de Belo Horizonte e Região e integrante da CEE.

Incorporados

Um dos assuntos mais debatidos na primeira negociação entre a CEE e o BB foi a situação dos funcionários oriundos dos bancos incorporados pelo Banco do Brasil em relação aos planos de previdência e de saúde. O movimento sindical solicitou encontro com o BB para discutir o tema e receber informações mais detalhadas.

Também foi informado ao banco que os sindicatos estão criando grupos de estudos para elaborar uma proposta definitiva e ampla sobre o tema. Parte desses bancários está sem plano de saúde (Cassi) e plano de previdência (Previ). "Recebemos inúmeras denúncias de trabalhadores que estão passando dificuldades por estarem totalmente desamparados e com sérios problemas financeiros. Sem plano de saúde, eles estão sendo obrigados a tirar dinheiro do próprio bolso para custear tratamentos caríssimos de saúde", lembra Raquel Kacelnikas, secretária-geral do Sindicato dos Bancários de São Paulo e funcionária do BB. 

Big Brother do BB

A CEE cobrou explicações da direção do Banco do Brasil acerca do novo sistema de gerenciamento de serviços implementado nos CSOs e na Disap, que vem expondo todas as equipes a constrangimentos e pressões por conta da publicação dos nomes dos funcionários em ranking que mede o desempenho individual.

Na avaliação do movimento sindical, trata-se de uma flagrante política de assédio moral coletivo. Além de Brasília, a comissão relatou o mesmo problema em outros estados. Pelo novo sistema, que recebeu o apelido de Big Brother uma vez que todos têm acesso a ele, os bancários recebem sinalizações em vermelho, amarelo e verde de acordo com o nível de metas atingidas.

Segurança

Em virtude da nova ambiência das agências, a CEE solicitou reunião com o banco para tratar do assunto, negociação que ainda inclui a retirada das portas de segurança nas unidades. O coordenador da Comissão de Empresa, Eduardo Araújo, também denunciou que alguns gestores estão vedando férias nos períodos de grande movimento bancário (julho/dezembro).

Reestruturações

Os problemas causados pelas reestruturações de alguns setores, como a Coger, Dicom, Dicre, Dinop, CSO e CSL, entre outros, não deixaram de ser abordados pela CEE. A comissão solicitou garantia e prioridade aos funcionários dos setores reestruturados, como ocorreu na Nossa Caixa, quando foram bloqueadas as comissões até a realocação dos funcionários. "Pedimos, no mínimo, a ampliação do VCP", acrescenta Araújo. A Comissão de Empresa ainda solicitou mais informações sobre possíveis mudanças na Dinop. O banco ficou de dar uma resposta na próxima negociação permanente com a Comissão de Empresa.

6 horas

Em relação à reivindicação pelo cumprimento da jornada de 6 horas - uma conquista histórica do movimento sindical -, a CEE reafirmou a necessidade de o BB seguir a legislação vigente. "O Sindicato e a Contraf-CUT farão manifestações em todo o país para mobilizar os bancários e dar visibilidade à luta", afirma Ana Smolka, representante da Fetec-PR.

O BB disse que está estudando uma solução para o assunto. "Até agora não existe nota técnica pronta do conselho diretor, o que existe de fato é um grupo interno que esta fazendo estudos e, quando houver um caminho, o banco pretende apresentar eventual proposta para o movimento sindical", frisou o negociador do banco.

Outra preocupação da CEE é o projeto de agências complementares, que prevê a contratação de correspondes bancários. O BB ficou de apresentar o projeto aos sindicatos. A meta do banco é firmar presença em todos os 5.465 municípios do país até 2015.

Araújo ainda questionou o banco sobre a perda de comissões dos trabalhadores em Santa Catarina, que vieram do Besc. O banco ficou de dar retorno aos dirigentes sindicais o mais breve possível.

A negociação não ficou restrita a assuntos relacionados ao funcionalismo. Os representantes dos bancários cobraram auxílio para as cidades fluminenses vítimas das enxurradas em janeiro deste ano.


Fonte: Rodrigo Couto - Seeb Brasília

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Golpe da saidinha de banco faz vítimas todos os dias em São Paulo

  
A notícia abaixo foi destaque da edição do Bom dia Brasil, da TV Globo, desta quarta-feira 23 de fevereiro.

O brasileiro tenta se proteger. Olha pros lados e fica atento a cada movimento suspeito. Tem cidade que já até proibiu o uso de celular. Outras puseram biombos pra proteger os clientes. O crime tem nome conhecido: saidinha de banco.

Autoridades de segurança constataram um aumento nesse tipo de crime. Em São Paulo, todo dia, tem um ataque. Os criminosos são muito violentos. Na capai tal paulista, um rapaz foi morto pelos ladrões logo depois de pegar a mãe em um banco. Ela havia acabado de sacar R$ 19 mil em uma agência.

Os assaltantes geralmente agem em dupla. Um deles entra no banco, como se fosse um cliente, e observa quem está fazendo saques em dinheiro. Depois passa as informações para outro comparsa, que ficou do lado de fora.

Atrás do caixa eletrônico, a câmera de segurança mostra um homem que não levanta suspeitas. Ele se passa por cliente, mas na verdade está de olho em quem sai com dinheiro. O homem avisa o comparsa. O golpe da saidinha de banco começa sempre do mesmo jeito e pode ter um fim trágico.

Esta semana, André Luiz Dantas de Souza, de 37 anos, foi morto com três tiros enquanto esperava a mãe no estacionamento da agência. No mesmo dia, outras duas vítimas de ações criminosas semelhantes prestaram queixa à polícia.

Não há uma estatística sobre a frequência desse tipo de crime em São Paulo, mas as delegacias da cidade registram todos os dias casos de assalto na saída de banco. Normalmente em dupla, os bandidos escolhem a vítima, levam o dinheiro que foi retirado no caixa eletrônico e usam uma moto para fugir. Na tarde de terça-feira (22), um bandido foi preso em flagrante na Zona Leste quando abordava a vítima. Assustado, o comerciante, que sacava R$ 2 mil, não quis gravar entrevista.

Algumas cidades têm adotado medidas para reprimir a ação dos criminosos. No Pará, biombos foram instalados escondendo os caixas. Em São Roque, interior de São Paulo, e em Teresina, no Piauí, uma lei proíbe o celular dentro das agências. O mesmo acontece em Minas Gerais, que também mandou instalar os biombos. À população, resta ficar mais atenta.

"Em primeiro lugar, a pessoa observar as pessoas que estão ao redor é muito importante. A pessoa precisa observar, e não entrar no banco totalmente desligado da vida. Tem de estar muito atento", orienta o delegado José Matallo Netto.

Projetos de proibição do celular e de instalação de biombos estão em discussão em São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul e Paraná. Mas, para a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), os biombos podem aumentar a insegurança, porque eles dificultam a visão dos vigias e das câmeras de segurança do banco.

O ideal é nunca sacar grandes quantias. Quando isso for absolutamente necessário, pelo menos evite fazer o saque no caixa. Uma solução é conversar com o gerente do banco e pedir para receber o dinheiro num local mais discreto dentro da agência.

Bilhete ofensivo de superior gera indenização a bancária do extinto Real

  
Ofendida com o recebimento de um bilhete agressivo escrito por um colega de trabalho que exercia função hierarquicamente superior a sua, uma empregada do Banco ABN Amro Real S. A. reclamou seus direitos na Justiça e ganhou indenização por danos morais no valor de R$ 16 mil. A condenação foi decidida na Sexta Turma do Tribunal Superior do Trabalho, ao reformar decisão regional desfavorável à empregada. 

O caso chegou ao TST por meio de recurso em que a bancária se insurgiu contra decisão do Tribunal Regional da 15ª Região (Campinas-SP) que lhe tirou o direito à indenização deferida na sentença do primeiro grau. O juízo havia entendido que uma vez que o bilhete ofensivo foi mesmo redigido pelo autor apontado no caso, como atestado por laudo pericial, a empregada tinha direito à reparação pelo dano moral causado. 

Ao examinar o recurso do banco contra a sentença, o Regional avaliou que não havia comprovação da culpa empresarial no caso, nem que havia nexo de causalidade entre o ato denunciado e o dano alegado pela empregada. Ainda segundo o entendimento do TRT, a honra pessoal da bancária não foi violada com exposição pública a situação vexatória e desrespeitosa que poderia configurar dano moral a ser reparado. 

Em recurso ao TST, a empregada sustentou que a comprovação da existência do bilhete redigido pelo seu superior hierárquico era motivo suficiente para se comprovar ofensa moral à sua honra. O relator do recurso na Sexta Turma, ministro Augusto César Leite de Carvalho, concordou com ela e avaliou que a decisão regional violava mesmo o inciso X do artigo 5º da Constituição Federal de 1988, que trata da inviolabilidade à intimidade, honra e imagem das pessoas. 

O relator explicou que o dano moral não se refere aos prejuízos relativos ao patrimônio financeiro e econômico da pessoa, mas aos que atingem os "bens de caráter imaterial ligados ao sentimento interior do indivíduo para com ele mesmo e para com a sociedade, tais como a integridade física, a saúde, a correção estética, a liberdade, a reputação". 

Entre outros sentimentos, "a ofensa objetiva desses bens imateriais tem um reflexo subjetivo na vítima traduzido em dor, sofrimento, espanto, frustração, aflição", informou o ministro. 

Por fim, o relator concluiu que bilhetes como esse "geram um enfraquecimento emocional à empregada que, na relação de emprego, busca não apenas a contraprestação pelos serviços prestados, mas também o reconhecimento pelo seu trabalho e o respeito a sua dignidade como pessoa". 

Seu voto foi aprovado por unanimidade na Sexta Turma. (RR-128640-75.2003.5.15.0033) 


Fonte: TST

Lucros de oito grandes bancos crescem 28% em 2010 e chegam a R$ 44,7 bi

  
O Estado de S.Paulo
Roberta Scrivano 

Os grandes bancos brasileiros (Banco do Brasil, Itaú Unibanco, Bradesco, Caixa, Santander, Safra, Banrisul e BNB) lucraram R$ 44,7 bilhões no ano passado. O volume é 28,1% maior que o resultado das instituições em 2009, quando obtiveram lucro líquido de R$ 39,4 bilhões. Os dados são de levantamento preparado pela Austin Rating.

Luís Miguel Santacreu, analista da Austin Rating, explica que os bons resultados do ano passado ocorreram sobretudo pelo aumento nas carteiras de crédito e pela diminuição do saldo de provisão dos bancos (ou seja, dinheiro que reservam para cobrir perdas com calote). "A combinação desses dois fatores contribuiu fortemente para os resultados dos bancos", avalia Santacreu.

Outro fator que colabora historicamente para os bons resultados dos bancos, diz Fabio Gallo, professor de finanças da Fundação Getúlio Vargas (FGV), são as tarifas cobradas pelas instituições nos produtos oferecidos aos clientes. "Não é só o crédito, embora o peso seja realmente grande para os bons resultados", comentou Gallo.

O analista da Austin Rating concorda com o comentário do professor Gallo. "As receitas de serviços dos bancos também cresceram no ano passado. Isso mostra que há um portfólio de produtos diversificados, fato que colabora com o aumento do lucro", completou.

Santacreu salientou que as medidas tomadas pelo governo no fim do ano para reduzir o volume de crédito de longo prazo à pessoa física não impactaram os dados de 2010. "Justamente porque foram no fim do ano e os números de 2010 já estavam garantidos", comenta.
Em 2010, o melhor resultado foi obtido pelo Itaú Unibanco (R$ 13,3 bilhões). No ano anterior, o banco havia ficado em segundo lugar no ranking de melhores lucros líquidos (com R$ 10 bilhões). O Banco do Brasil, que liderava a listagem em 2009 (lucro de R$ 10,1 bi), passou para o segundo lugar neste ano, com ganho de R$ 11,7 bilhões.

O Bradesco manteve-se na terceira posição, com lucro de R$ 10 bilhões em 2010 e R$ 8 bilhões em 2009 (ver mais na tabela acima).
Futuro. O crédito foi o carro-chefe do ano passado, afirmam especialistas em finanças. Com as medidas governamentais para conter o volume de empréstimos, no entanto, a tendência é de que o volume de concessão de crédito desacelere no decorrer de 2011, fato que pode impactar no resultado dos bancos.

"Os dados dos bancos relativos ao primeiro trimestre deste ano mostram que 2011 será diferente do ano passado", considera Santacreu. Ele esclarece que acredita que as carteiras de crédito continuarão crescendo, mas de forma menos robusta.

Projetar de quanto será o crescimento dos bancos é tarefa impossível, diz o analista da Austin. "É muito cedo para dizer o que vai ocorrer com o resultado das instituições", comenta.
Gallo concorda. "Há diversos fatores macroeconômicos que podem impactar nos bancos", comenta.

Evolução da taxa básica de juros (Selic) e inflação são as duas principais variáveis a serem observadas antes de tentar prever o que ocorrerá com os bancos. "Eles continuarão crescendo, óbvio. Mas creio que, neste ano, o ritmo será mais lento que o do ano passado", estima o professor da FGV.