segunda-feira, 15 de agosto de 2011
Justiça do RN condena HSBC a ressarcir cliente por cobrança indevida de tarifas
Os Desembargadores da 1ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte condenaram o HSBC pela cobrança indevida na conta-corrente de um cliente. Os juízes determinaram que o banco devolva a capitalização de juros, a cobrança de TAC (taxa de abertura de crédito) e a taxa de emissão de boleto, além da devolução dos valores cobrados indevidamente.
O juiz da 3ª Vara Cível de Mossoró havia julgada a ação de repetição de indébito improcedente. Diante disso, o autor ingressou com uma apelação junto ao TJRN, sob o argumento de que capitalização de juros, efetivada em seu contrato é vedada, ante a inconstitucionalidade do art. 5º da Medida Provisória n.º 2.171-36/2001 que autorizava a cobrança, bem como as cobranças da TAC, do IOF e da taxa de emissão de boleto são ilegais e abusivas.
Diante disso, o autor pediu a exclusão da capitalização de juros do contrato, o afastamento da cobrança de TAC, IOF e da taxa de emissão de boleto e a condenação do banco ao reembolso dos valores já cobrados.
Para o relator do processo, desembargador Amílcar Maia, ficou evidente a possibilidade de revisão do contrato. Em relação à capitalização mensal de juros, o Tribunal já entende a impossibilidade de capitalização mensal de juros fora das hipóteses expressamente permitidas por leis esparsas. Em relação a cobrança da TAC e da Taxa de Emissão de Boleto, o desembargador considerou abusiva e ilegal, uma vez que a cobrança de tais tarifas violam as disposições do Código de Defesa do Consumidor.
Já em relação à taxa de emissão de boleto, o desembargador considerou que a cobrança viola o art 39, V, e art. 51, IV do CDC, uma vez que os custos da emissão de boletos de cobrança são inerentes à atividade da instituição financeira, não sendo possível repassá-los ao consumidor. Entretanto, em relação ao IOF, o Tribunal entendeu que a sentença de 1º grau não merece qualquer alteração, à medida que tal tributo é previsto no art. 153, V, da Constituição Federal.
Em relação aos valores já cobrados, o Tribunal determinou sua devolução, mas de forma simples, uma vez que a aplicação da sanção prevista no art. 42, parágrafo único, do Código de Defesa do Consumidor pressupõe a existência de pagamento indevido e má-fé do credor, o que, na hipótese, não está evidenciado. (Processo n° 2011.006729-3)
Fonte: Contraf, com Tribuna do Norte
Santander trata dirigentes sindicais como vândalos e Contraf quer retratação
Ao apresentar "casos reais" de "vandalismo" no curso de risco operacional, o banco espanhol defende a necessidade de "reforçar a segurança e/ou colocar tapumes nas portas localizadas em vias sujeitas a tumultos em dias de jogos, manifestações sindicais, festas populares e outros."
O fato revoltou os dirigentes sindicais.
Indignada, a Contraf-CUT encaminhou nesta sexta-feira, dia 12, uma carta, que foi protocolada junto ao banco pelo coordenador da Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Santander, Marcelo Sá, durante a reunião do Fórum de Saúde e Condições de Trabalho.
Clique aqui para ler a íntegra da carta.
"Consideramos abominável o enquadramento pelo banco de manifestações sindicais como atos de vandalismo. Para nós, trata-se de mais uma prática antissindical do Santander, que não pode ser tolerada no banco, na medida em que agride o movimento sindical e a luta dos trabalhadores em defesa do atendimento de suas reivindicações", afirma o documento da Contraf-CUT, assinado pelo presidente Carlos Cordeiro e pelo funcionário do banco e secretário de imprensa, Ademir Wiederkehr.
"Vimos solicitar a retirada imediata do ataque às manifestações sindicais do curso de risco operacional e efetuar uma retratação junto às entidades sindicais e aos funcionários do banco que já participaram desse treinamento", reivindica a Contraf-CUT.
Os representantes do banco que receberam a carta alegaram que desconheciam o assunto e ficaram de verificar. "Está na hora de o Santander respeitar o Brasil e os brasileiros", reitera Ademir. "Queremos emprego decente".
Fonte: Contraf
Comando entrega pauta à Fenaban, com aumento real e emprego decente
Crédito: Jailton Garcia
A pauta contempla reajuste salarial de 12,8% (aumento real de 5% mais reposição da inflação projetada em 7,5%), PLR de três salários mais R$ 4.500, piso do Dieese (R$ 2.297,51 em junho), emprego decente, com plano de cargos e salários para todos, fim das metas abusivas, combate ao assédio moral, segurança contra assaltos, garantia contra dispensas imotivadas, mais contratações, fim da rotatividade, reversão das terceirizações, igualdade de oportunidades, aposentadoria digna e banco para todos, sem precarização.
Ao entregar a pauta de reivindicações ao novo presidente da Fenaban, Murilo Portugal (estavam na mesa representantes do Itaú, Banco do Brasil, Bradesco, Caixa, Santander e HSBC), o presidente da Contraf-CUT, Carlos Cordeiro, lembrou o momento positivo que o Brasil vive, com crescimento econômico, reconhecimento internacional e se transformando na sétima maior economia mundial. "Mas infelizmente o país está ainda entre as dez piores distribuições de renda do mundo. O sistema financeiro, que continua lucrando como nunca, precisa ajudar o país a transformar o crescimento econômico em desenvolvimento, com distribuição de renda", enfatizou Carlos Cordeiro.
Emprego decente
Por isso, informou o presidente da Contraf-CUT e coordenador do Comando Nacional, os bancários estão incluindo na Campanha Nacional deste ano o conceito de emprego decente, elaborado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) e assumido pela CUT como bandeira central de luta em 2011.
"O emprego decente que queremos ter dentro dos bancos envolve várias dimensões, entre elas a de garantia no emprego, remuneração digna, sem discriminações de nenhum tipo, condições de trabalho decente, fim do assédio moral e das metas abusivas - que é um problema tanto dos bancos públicos como privados -, aposentadoria decente e mais segurança nas agências", disse Carlos Cordeiro.
"Precisamos acabar com a alta rotatividade nos bancos, que é uma coisa, como a jabuticaba, só existe no Brasil. Infelizmente, os bancos internacionais só praticam a alta rotatividade aqui, e não nos outros países vizinhos onde atuam", criticou o presidente da Contraf-CUT.
"Queremos uma remuneração decente, continuar na valorização do piso, no aumento real, na melhor distribuição da PLR, sem discriminação contra mulheres, que ganham 24% menos que os homens, contra negros, contra pessoas com deficiência", acrescentou Cordeiro. "A amplitude entre o maior e o menor salário nos bancos no Brasil é muito maior que nos outros países, como disseram os especialistas no seminário que a própria Fenaban organizou. Precisamos reduzir essa concentração de renda."
Sistema financeiro decente
O Comando Nacional também informou a Fenaban que a pauta de reivindicações deste ano inclui também o conceito de inclusão bancária, que é o direito de toda a população brasileira ter conta bancária e ter atendimento decente, feito em agências e postos de atendimento, com assessoria financeira, sigilo de dados e segurança.
"Estamos levando à presidenta Dilma Roussef a convocação de uma Conferência Nacional para discutir com toda a sociedade brasileira o sistema financeiro que o Brasil quer e precisa para alavancar o desenvolvimento econômico e social", disse Carlos Cordeiro. "Dentro desse debate, queremos discutir os correspondentes bancários, que achamos que é um instrumento para segregar e excluir os mais pobres e precarizar as relações de trabalho. Se o Brasil quer ser grande, precisa ter um sistema financeiro diferente, com as pessoas em primeiro lugar."
Venda ética de serviços bancários
Além da pauta de reivindicações, o Comando Nacional também entregou à Fenaban a carta aprovada pelo Comitê Diretivo da UNI Finanças durante reunião realizada em Copenhague, na Dinamarca, em junho de 2010, que defende a venda ética de produtos e serviços bancários e a orientação adequada aos clientes sobre as melhores opções para fazer investimentos.
A Declaração sobre a Venda Responsável de Produtos Financeiros prevê, entre outros itens, o fim das metas abusivas e a garantia de uma "cultura interna de negócios e procedimentos operacionais que conduzam à venda responsável de produtos".
"Os bancários querem acabar com as pressões que sofrem nos bancos, com remuneração vinculada a metas abusivas e assédio moral, para vender a qualquer custo", afirma Carlos Cordeiro, que também é presidente da UNI Américas Finanças. "Queremos oferecer aos clientes um atendimento ético, esclarecendo as pessoas sobre os serviços, taxas de juros e tarifas de forma clara e transparente, e garantir que esses serviços atendam de fato às necessidades de cada cliente. Queremos acabar com procedimentos como a venda casada, que os bancos pressionam os trabalhadores a realizar."
Principais reivindicações
Reajuste Salarial
12,8% (5% de aumento real mais a inflação projetada de 7,5%)
PLR - Participação nos Lucros e Resultados
Três salários mais R$ 4.500
Pisos
Portaria - R$ 1.608,26
Escritório - R$ 2.297,51
Caixa - R$ 3.101,64
1º Comissionado - R$ 3.905,77
1º Gerente - R$ 5.169,40
Vales Alimentação e Refeição e auxílio-creche/babá
Salário Mínimo Nacional - R$ 545
PCCS - Plano de Cargos, Carreiras e Salários
Para todos os bancários
Auxílio-educação
Pagamento para graduação e pós
Emprego
Ampliação das contratações
Fim da rotatividade
Combate às terceirizações
Garantia contra dispensas imotivadas (Convenção 158 da OIT)
Banco para todos, sem precarização
Outras prioridades
Cumprimento da jornada de 6 horas
Fim das metas abusivas
Combate ao assédio moral e à violência organizacional
Segurança contra assaltos e adicional de 30% de risco de morte
Previdência complementar para todos os trabalhadores
Contratação da remuneração total
Igualdade de oportunidades
Fonte: Contraf-CUT
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
Lucro dos Bancos - 2011
Primeiro Semestre (Em R$ mil) | |||
Banco | 2010 | 2011 | Variação |
Itaú Unibanco | 6.399.142 | 7.132.508 | 11,46% |
Banco do Brasil | 5.076.256 | 6.289.715 | 23,9% |
Bradesco | 4.508.024 | 5.487.428 | 21,73% |
Santander | 3.529.251 | 4.153.914 | 17,70% |
Caixa | Não Divulgado | Não Divulgado | --- |
Total | 19.512.673 | 23.063.565 | 18,2% |
Fonte: Demonstrações contábeis dos bancos
E laboração: DIEESE
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
AGIR ITAÚ
O Banco Itaú anunciou em seu comunicado interno que pagará no dia 19 de agosto a primeira parcela da denominada PR (Participação Resultados) dos programas próprios que engloba o AGIR.
Salientamos que os elegíveis nesta antecipação são apenas os funcionários comissionados, os critérios de remuneração são desconhecidos vez que este programa NÃO é negociado com os sindicatos. Todavia ao final esta antecipação na maioria dos casos será compensada da PLR.
PCR - Em relação a PCR não será feito nenhum pagamento neste mes de agosto.
Lembrando que em 01 de março deste ano foi antecipado o valor de R$ 1.600,00, sendo que ao final do programa poderá chegar ao total de R$ 2.100,00, então faltaria R$ 500,00, se alcançado os índices de rentabilidade previsto no acordo assinado, caso não atingido permaneceria uma diferença de R$ 200,00 (duzentos reais).
Mas reforçando que o pagamento desta diferença devera ocorrer no inicio de 2012, por ora o Banco não agendou nenhuma negociação para discussão do tema.
Ficamos a disposição.
MAURI SERGIO MARTINS DE SOUZA
Representante da FEEB-SP/MS na COE/ITAU.
Para Contraf-CUT, queda no tempo das filas só virá com mais contratações
Crédito: Agnaldo Azevedo
A Contraf-CUT participou na tarde desta terça-feira (9) de audiência pública da Comissão de Defesa do Consumidor (CDC) da Câmara dos Deputados, em Brasília, que tratou do tempo máximo de espera nas filas das instituições financeiras. A audiência foi requerida pelo deputado federal Gean Loureiro (PMDB-SC).
De acordo com o secretário de Organização do Ramo Financeiro da Contraf-CUT, Miguel Pereira, o tempo de permanência nas filas diz respeito à qualidade do atendimento dispensado ao cliente, mas há o outro lado da moeda que é o emprego e as condições de trabalho dos bancários. "Não adianta estipular um máximo de minutos de fila se os bancos não ampliarem os postos de trabalho. Se não houver mais contratações de funcionários para a linha de frente, a pressão vai ficar cada vez pior. Cerca de 1.600 bancários já são afastados por mês por adoecimento e isso pode piorar", afirma o dirigente.
Hoje existem diversas leis estaduais e municipais sobre o assunto, fixando diferentes limites para o tempo de atendimento. "Somos a favor de que haja uma padronização nacional, mas ressaltamos que deve ser acompanhada da exigência de que as agências aumentem seus efetivos para garantir atendimento de qualidade. Caso contrário, a providência não surtirá o efeito esperado", defende Miguel.
Durante a audiência, Miguel expôs três pontos da minuta da Campanha Nacional dos Bancários 2011 que focam o tema. "Queremos que o tempo máximo de espera nas filas seja de até 15 minutos; queremos a ampliação do horário de atendimento bancário para das 9h às 17h, com a volta de dois turnos de trabalho; e queremos a garantia da universalização dos serviços bancários para todos os cidadãos, independentemente do nível de renda de cada cliente", salienta.
Febraban
O presidente da Febraban, Murilo Portugal, que participou da audiência, disse que a entidade patronal concorda com o procedimento de fixar, em uma lei nacional, o tempo máximo de espera para o atendimento. Segundo ele, a Febraban propôs como medida de auto-regulação, em 2008, o tempo de até 20 minutos para os dias normais e de até 30 minutos para os dias de pico. Mas poucos bancos respeitam, já que auto-regulação não obriga o cumprimento.
Portugal afirmou que o monitoramento regular feito pela Febraban aos bancos tem indicado que o tempo de atendimento vem diminuindo, mas ele foi refutado por dados apresentados pelos representantes do Procon. De acordo com levantamento feito com base no Sindec (sistema que uniformiza os bancos de dados de Procons de 160 cidades), em 2009 foram 3 mil reclamações e em 2011 passou para 6 mil, um aumento de 100%.
A necessidade de uma regulação nacional com respectivo mecanismo de fiscalização é fundamental, aponta Miguel. "Hoje os Procons estão presentes em apenas 500 municípios. E os outros 5 mil, como fazem este controle?", indaga o dirigente da Contraf-CUT. "Além disso, muitos deles não possuem estrutura para fazer este trabalho", ressalta.
Outro ponto destacado por Miguel é em relação à segurança bancária. "Quanto mais rápido for o atendimento, menores são as chances de os clientes serem surpreendidas pelas chamadas 'saidinhas' de banco", avalia.
Correspondentes
Os bancos no Brasil nos últimos anos vêm adotando a intensificação da venda de produtos e serviços aos clientes. Para transformar o ambiente interno das agências neste novo espaço de negócios, os bancos têm expulsado justamente os clientes de menor renda. Uma das táticas usadas é a diminuição de funcionários do atendimento, o que precariza o serviço e expulsa essas pessoas para serem atendidas pelos correspondentes bancários.
"Há denúncias de que bancos vêm impedindo clientes de entrarem nas agências, sendo redirecionados para correspondentes. E são as pessoas geralmente pobres, hipervulneráveis, justamente as que precisam de mais atenção, que são submetidas a essa situação discriminatória", avalia Miguel.
Projeto de lei
A Comissão da Câmara deve continuar o aprofundamento dos debates para a construção de um projeto de lei sobre o tema. De acordo com o deputado Loureiro, o objetivo da audiência foi contribuir para a "construção de uma Política Nacional de Relações de Consumo, em atendimento das necessidades dos consumidores, o respeito a sua dignidade, saúde, segurança, proteção dos seus interesses econômicos e da melhoria da sua qualidade de vida".
Documento
A Contraf-CUT entregou à Comissão da Câmara um documento que repudia a ação sistemática dos bancos de expulsar clientes de menor renda para fora das agências e apresenta as propostas dos bancários sobre o tempo de atendimento.
Também estiveram presentes na audiência os representantes do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC), Fórum Nacional dos Procons; Associação Nacional do Ministério Público do Consumidor (MPCON), Instituto Brasileiro de Política e Direito do Consumidor (Brasilcon) e Procon.
Fonte: Contraf
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