segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Itaú demite duas vítimas de assalto há pouco mais de um mês em Recife

Thalita Conceição Araújo, agência do Itaú no Hospital Português. Henrique Oliveira, gerente operacional da Agência Boa Viagem. Ambos profissionais exemplares em Recife, com unidades muito bem classificadas no programa de avaliação de desempenho da empresa. Foram demitidos na quinta-feira, dia 15. Além da demissão na mesma data, outro fato aproxima os dois bancários: ambos foram vítimas de assaltos há pouco mais de um mês.

Thalita lembra o fato com detalhes: "Os bandidos arrombaram a porta com uma marreta, um deles caiu sobre os estilhaços de vidro. Mas foi ele mesmo quem pulou para dentro da bateria de caixa, com uma arma na mão. Tive de entregar a chave do cofre", lembra a bancária, que trabalhava como chefe de serviço na tesouraria.

No entanto, além da tensão sofrida pelas ameaças, ela ainda teve de conviver com outra preocupação: "eu só pensava na quantidade de dinheiro que tinha sido levada. Já imaginava que ia ter problemas depois".

Henrique, por sua vez, veio promovido, de Maceió. Ainda estava sem uma locação definida quando sofreu o primeiro assalto, em seu primeiro dia de trabalho na agência Prazeres. A agência estava lotada e houve até tiros. O bancário começou a ter insônia, mas nada que pudesse ser comparado ao que ele viveria um mês depois, na agência Boa Viagem.

"Foi um assalto feito por profissionais, com armamento pesado, até metralhadora. E eles sabiam tudo sobre o funcionamento da agência e horário de chegada do carro-forte", lembra Henrique, que era gerente operacional.

O tesoureiro, que já tinha histórico de pressão alta, saiu de licença logo depois. Ele teve de segurar as pontas, tomando medicamentos para se manter sob controle. "Todos os procedimentos foram cumpridos. Não houve qualquer falha nossa", diz Henrique. Por outro lado, tanto em Boa Viagem quanto no Hospital Português, sobram falhas por parte do banco.

No Hospital Português, não há porta de segurança e a tesouraria funciona dentro da copa, onde também está instalado o banheiro. Em Boa Viagem, também não há porta. A unidade estava em reforma, sem câmeras, sem alarme e, no dia do assalto, os cofres-fortes não podiam ser utilizados porque a porta havia sido trocada e os funcionários não tinham a nova chave. "A gente se sente humilhada, revoltada e injustiçada por ser descartada desta maneira depois de tudo o que já fez pelo banco", desabafa Thalita.

Ao receber o comunicado de demissão, o chefe imediato de Henrique disse que nada tinha contra ele, mas que o banco estava lhe demitindo "para que servisse de exemplo".

"Exemplo de quê? Os colegas, até de outras agências, muitas vezes me procuram para tirar dúvidas porque eu sou uma referência como profissional. Está todo mundo revoltado. Nossa equipe estava motivada, tínhamos sido primeiro lugar no programa AGIR. Recebi, em um dia, mais de quarenta mensagens de indignação", conta o trabalhador. Fonte: Seeb-Pernambuco

Carta do BB é afronta aos funcionários Direção do banco justifica que pelo bem de seus acionistas, “qualquer benefício significa aumento no dispêndio da empresa”

São Paulo - “É inviável pensar em reajustes com base em índices proporcionais ao crescimento do resultado”. O trecho integra correspondência enviada pelo diretor de relações com funcionários e entidades patrocinadas do Banco do Brasil, Carlos Eduardo Leal Neri, a todos os bancários da instituição financeira.

A carta, enviada aos trabalhadores na tarde de quinta 15, versa sobre o Acordo Coletivo 2011, aditivo à CCT negociada entre a federação dos bancos (Fenaban) e o Comando Nacional dos Bancários, onde também se admitia que “o resultado do Banco do Brasil no primeiro semestre deste ano foi realmente muito bom e sabemos que foi alcançado graças ao trabalho árduo da corporação como um todo”.

No primeiro semestre de 2011 o BB lucrou R$ 6,3 bilhões. Somente com as receitas de prestação de serviços, que acumularam R$ 8, 5 bilhões, foi possível custear todos os seus gastos com pessoal, que foi de R$ 6,6 bilhões. Apesar disso a correspondência declarava que “não existem sobras no lucro do banco”.

O documento gerou indignação de trabalhadores que enviaram diversos e-mails ao Sindicato, denunciando a intransigência do banco. Para piorar, a carta chega em plena Campanha Nacional Unificada 2011 e demonstra o espírito dos banqueiros frente à mesa de negociação.

Enviada um dia após a segunda rodada de negociação específica entre o Comando Nacional dos Bancários e a direção do BB, a carta tentava sensibilizar os bancários – a quem chamam de ‘colega’ – pedindo competitividade a fim de agradar os acionistas com um eficaz “gerenciamento das despesas”. 

> Leia a íntegra da carta enviada pela direção do BB aos funcionários

Colega,
Iniciamos na última semana o debate com as entidades sindicais
para a construção de nosso Acordo Coletivo em 2011, documento
aditivo à Convenção assinada junto à Fenaban. Um período rico em
termos de negociação - marcado pelo fortalecimento do diálogo - e
também em termos de expectativas das partes envolvidas -
Empresa, sindicatos e funcionários – em torno da obtenção do
melhor acordo.
O resultado do Banco no primeiro semestre deste ano foi realmente
muito bom e sabemos que foi alcançado graças ao trabalho árduo da
corporação como um todo. Lucro crescente, é natural que se crie a
expectativa de que essa elevação se reverta, na mesma proporção,
em benefícios para o funcionalismo. E isso já acontece
principalmente sob forma de PLR, cujo modelo adotado pelo Banco é
paradigma no setor financeiro.
Junto com o valor destinado ao pagamento da PLR aos funcionários,
cresce também a quantia distribuída aos mais de 400 mil acionistas.
Aumenta o recurso destinado a novos investimentos na própria
Empresa, necessários para suportar sua expansão. E eleva-se o
valor – maior parte - que volta aos cofres públicos do Governo
Federal, nosso acionista majoritário, para investimentos no País.
Essa matemática mostra, na prática, o quanto é inviável pensar em
reajustes com base em índices proporcionais ao crescimento do
resultado, discurso muitas vezes disseminado pelos dirigentes
sindicais.
Não existem sobras no lucro do Banco e qualquer benefício significa,
na verdade, aumento no dispêndio da Empresa. Precisamos ser
competitivos no mercado em que atuamos, inclusive no que diz
respeito ao gerenciamento das despesas, e essa eficiência nos é
cobrada pelos acionistas, que investem seu capital no BB. Por isso,
trabalhamos com o oferecimento de índices e benefícios que
garantam, antes de mais nada, a sustentabilidade da Empresa.
Soma-se a isso o cenário macroeconômico brasileiro, além da clara
preocupação do Governo Federal no que diz respeito às contas
públicas, e a conclusão a que chegamos é a de que teremos
dificuldades em oferecer, neste ano, benefícios além do que for
acordado para toda a categoria bancária na mesa Fenaban - da
forma como, aliás, temos feito nos últimos sete anos. O que for
acordado nessa mesa com as entidades sindicais, no entanto, será
cumprido integralmente.
Por esses motivos, convidamos todos os colegas a terem um olhar
mais amplo e observarem tudo o que foi conquistado nos últimos
anos, e não somente as circunstâncias atuais. Esperamos que o
funcionalismo resgate os avanços e considerem os passos à frente
que temos dado, que podem ser sintetizados nas principais
conquistas abaixo relacionadas:
a. ABONO ASSIDUIDADE para os funcionários pós-98;
b. ACESSO ao PAS (Programa de Assistência Social) para os
funcionários pós-98;
c. UNIVERSALIZAÇÃO dos programas de Educação Corporativa
(graduação, especialização, MBA, mestrado, doutorado);
d. MELHORIA do programa de Participação nos Lucros e Resultados
(PLR);
e. CRIAÇÃO do VCP-LER para o caixa executivo;
f. PLANO ODONTOLÓGICO para 100% dos funcionários;
g. PRIMEIRA empresa a aderir à ampliação da licença maternidade
para 180 dias, estendendo até à licença adoção;
h. LICENÇA adoção de 30 dias para casais homoafetivos do sexo
masculino;
i. INCLUSÃO do companheiro(a) homoafetivo como dependente da
CASSI;
j. CRIAÇÃO da carreira de mérito no Plano de Carreira e
Remuneração – PCR;
k. CRIAÇÃO do programa PRÓ-EQUIDADE de Gênero;
l. PAVAS (Programa de Assistência a Vítimas de Assalto e
Seqüestro);
m. AMPLIAÇÃO do quadro de pessoal a partir de 2003 em cerca de
40%. Só nos últimos 3 semestres houve 15 mil CONTRATAÇÕES;
n. CRIAÇÃO da Ouvidoria Interna e CRIAÇÃO/ IMPLANTAÇÃO dos
Comitês de Gestão da Ética;
o. Implantação do SESMT;
p. ÚNICA empresa a INCORPORAR outras SEM uma DEMISSÃO
sequer, e garantindo direitos;
q. PRIMEIRA empresa das AMÉRICAS e SEGUNDA instituição
financeira do MUNDO a assinar acordo internacional se
comprometendo a RESPEITAR o DIREITO à NEGOCIAÇÃO
COLETIVA e à SINDICALIZAÇÃO, onde estiver instalada;
r. Possibilidade de substituição dos primeiros gestores da rede, além
de todos os comissionados de agências com até sete funcionários;
s. REAJUSTES de 2003 a 2010:
i. Inflação acumulada = ................65,60%
ii. Reajuste Geral FENABAN = .....75,09%
iii. Reajuste Piso BB/PCS.............100,09%
São fatos. Não dá para ignorar tudo e imaginar que não avançamos.
Muito do que já é uma realidade para os funcionários do BB ainda é
reivindicado para os demais bancos do sistema através de pautas
entregues à Fenaban. Estamos dispostos ao diálogo e aquilo cuja
decisão depender exclusivamente da Empresa, sem contrariar a
orientação do acionista majoritário, o Banco terá a maior boa
vontade em analisar a possibilidade de atendimento.
Queremos estender esse debate realizado com as entidades
sindicais para todo o corpo funcional. Pela primeira vez em um
período de negociação nós temos um blog para que os funcionários
possam interagir de forma cordial, respeitosa e construtiva com a
equipe que conduz o processo no BB. Amanhã, dia 16, teremos
também um programa Ponto a Ponto na TVBB, ao vivo, a partir
das 9 horas. Discuta com sua equipe, coloque suas dúvidas sobre o
período no papel e participe, enviando suas perguntas para o
programa. Ajude-nos na discussão de propostas que sejam boas
para todos e que sejam responsáveis no que diz respeito ao
crescimento sustentável da Empresa. Contamos com sua
participação!
Carlos Eduardo Leal Neri
Diretor de Relações com Funcionários e Entidades Patrocinadas

O diretor do Sindicato Cláudio Luis de Souza informou que os representantes do banco chegaram a ameaçar, durante negociação do dia 14, com a retirada de cláusulas do acordo aditivo, além de não apresentarem nenhuma proposta às reivindicações entregues pelos trabalhadores há mais de um mês. “Queremos negociar com seriedade e não estamos percebendo a mesma postura do banco. Isso mostra que os bancários terão de ampliar a mobilização para fazer com que a empresa negocie com seriedade”, afirmou o dirigente.

Licença para assediar - Outro pronunciamento do banco que revoltou os trabalhadores foi postado no blog criado pelo BB especificamente para tratar sobre a negociação coletiva. “O banco, por exemplo, não pretende renovar a cláusula de três avaliações negativas para a possibilidade de descomissionamento por desempenho. Ela não tem se demonstrado eficaz para a gestão”, declarou placidamente o negociador do banco, José Roberto Mendes do Amaral.  “É como se o banco dissesse: ‘trabalhador, queremos retirar uma cláusula que protege você para poder ameaçar, torturar, assediar com descomissionamentos caso não cumpram as nossas metas altíssimas’. É um absurdo se pensar nisso. Como se o bancário já não estivesse exposto a pressões desumanas”, indigna-se a secretária geral do Sindicato, Raquel Kacelnikas.

Ela explica que o banco, além de não cumprir o que foi acordado no aditivo que está em vigor, ainda planeja retirar direitos, desvalorizando seus trabalhadores que, como admite a própria carta, foram os principais responsáveis pelos ótimos resultados do último semestre. “Os trabalhadores de empresas incorporadas não tem direito à Cassi e a Previ e o plano odontológico levou anos para ser incluído, mas ainda precisa ser melhorado”, enumera.

Raquel afirma que boa parte das reivindicações dos bancários não é onerosa para o banco. “A questão do assédio moral, das metas abusivas, do descomissionamento e perda de função em caso de afastamentos médicos, por exemplo, não se justificam”.
Fonte: Seeb-SP

ASSEMBLÉIA DIA 22/09/2011

EDITAL ASSEMBLEIA GERAL EXTRAORDINÁRIA



Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários de Presidente Venceslau e Região, inscrito no CNPJ/MF sob o nº 53.308.524/0001-00, Registro sindical nº 24440-019065/90-00 por seu presidente abaixo assinado, convoca todos os empregados em estabelecimentos bancários dos bancos públicos e privados, sócios e não sócios, da base territorial deste sindicato: Presidente Venceslau, Caiuá, Euclides da Cunha Paulista, Marabá Paulista, Piquerobi, Presidente Epitácio, Primavera, Rosana, Santo Anastácio e Teodoro Sampaio, para a assembléia geral extraordinária que se realizará dia 22/09/2011, às19h, em primeira convocação, e às 20h, em segunda convocação, no endereço à Rua Antonio Marques da Silva nº 2.245, Jardim Morada do Sol, CEP 19400-000, Presidente Venceslau-SP, para discussão e deliberação acerca da seguinte ordem do dia:


1. Avaliação e deliberação sobre a contraproposta apresentada pela FENABAN na reunião de 20/09/2011, à minuta de reivindicações entregue em 12/08/2011;

2. Deliberação acerca de paralisação das atividades por prazo indeterminado;


Presidente Venceslau-SP, 16 de setembro de 2011.





SIDNEI DE PAULA CORRAL
                                                          Presidente

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Discriminação na Cassi e Previ chega ao MPT

Órgão recebe denúncia e pede esclarecimento ao Sindicato, que confirmará o não atendimento de egressos de bancos incorporados pelos planos
São Paulo – O Ministério Público do Trabalho, por meio da Procuradoria Regional da 10ª Região (DF e TO), notificou o Sindicato a esclarecer denúncias sobre discriminação a empregados do Banco do Brasil egressos dos bancos incorporados Nossa Caixa, Banco do Estado do Piauí e Banco do Estado de Santa Catarina, que seriam impedidos de utilizar o plano de previdência Previ e o plano de associados Cassi.
A entidade atenderá à solicitação e irá nesta quinta-feira 15 a Brasília prestar os esclarecimentos solicitados. “Desde a incorporação desses três bancos, em 2008, nós lutamos pela inclusão desses trabalhadores na Previ e Cassi, mas não houve avanço e os egressos continuam excluídos da Previ e Cassi. Vamos a Brasília munidos de documentos que contam e comprovam essa história”, diz a secretária-geral Raquel Kacelnikas, que representará o Sindicato.
“Em que pese os estatutos dessas instituições (Previ e Cassi) afirmarem que elas foram criadas para assistir os trabalhadores do banco, isso não vale para os funcionários das instituições incorporadas que até hoje não têm direito a nenhum dos planos”, diz a dirigente, para quem o fato caracteriza-se como discriminação.
“Quando o BB compra uma instituição financeira, ele incorpora também seus funcionários e os direitos desses funcionários. Pressupõe-se, portanto, que os egressos da Nossa Caixa, e dos bancos do Piauí e de Santa Catarina devam ter os mesmos direitos dos trabalhadores do BB.”
Campanha 2011 – Cassi e Previ para todos é uma das reivindicações da pauta específica dos funcionários do Banco do Brasil, cujas negociações acontecem de forma paralela às da Campanha Nacional Unificada. Mas o banco afirma que não poderá concluir o debate deste item na campanha deste ano. “O BB quer esticar o debate, mas a vida das pessoas não pode esperar. Até porque já se passaram quase três anos da incorporação, tempo suficiente para incluir esses funcionários”, enfatiza Raquel. 
Fonte: Seeb-SP

quarta-feira, 14 de setembro de 2011



Entidade que tem como objetivo proteger depósitos dos clientes assume função do BC e socorre instituições que enfrentam risco de quebra
Os bancos de pequeno e médio portes já receberam R$ 7,5 bilhões este ano para se capitalizarem e evitar problemas de solvência - levando em conta apenas as operações de socorro com ajuda do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) - entidade mantida pelos bancos para garantir os depósitos da clientela em caso de quebra de uma instituição.
Fraudes. Com o maior rombo até agora, o Banco Panamericano precisou ser socorrido com uma injeção de R$ 4,2 bilhões
A operação mais recente envolve o resgate do banco Matone, comprado pelo Grupo JBS, que recebeu em julho R$ 1,85 bilhão. O FGC emprestou cerca de R$ 850 milhões, o equivalente ao rombo encontrado nas contas do Matone, e o JBS capitalizou a instituição com R$ 1 bilhão, para fazer o novo banco funcionar.
O banco mineiro BMG será capitalizado em R$ 1,5 bilhão, principalmente para cobrir o rombo do banco Schahin, comprado em abril. Desse total, R$ 800 milhões entraram no capital dia 11. Segundo fontes de mercado, o dinheiro veio do FGC, que intermediou a negociação. O novo aporte, de R$ 700 milhões, será concluído este mês.
Discretamente, o FGC vem exercendo o papel de bombeiro que o Banco Central teve no passado, quando era preciso salvar bancos em dificuldades. A diferença é que agora o dinheiro é dos próprios bancos, que avaliam a situação, fazem as contas e assumem o risco das operações que levam adiante. O resgate do Panamericano, o maior de todos, foi autorizado pessoalmente pelos presidentes dos maiores bancos do País.
De acordo com fontes que participam dessas operações, sempre que o custo de resgatar um banco é igual ou não muito maior do que o custo de reembolsar os clientes, o FGC escolhe a operação salvamento. No caso do Morada, do Rio, a escolha era entre cobrir um rombo de R$ 700 milhões ou desembolsar com os clientes R$ 150 milhões. Nesse caso, o FGC ficou fora.
Embora não apareça na linha de frente, o BC acompanha todas as negociações. Troca informações e idéias com o FGC. Pelo menos quatro razões explicam as dificuldades dessas instituições. A primeira é que os empréstimos entre bancos ficaram mais difíceis desde a quebra do banco Lehman Brothers, em 2008.
O segundo ponto é a dificuldade de os bancos menores venderem suas carteiras de crédito para os grandes. As instituições maiores passaram a ser mais criteriosas após o escândalo do Panamericano. A fraude contábil, que totalizou R$ 4,2 bilhões, se concentrou na contabilização das carteiras vendidas no mercado. Em terceiro lugar, bancos pequenos e médios especializados em crédito consignado perderam espaço para os grandes, que viram no segmento um filão relevante de lucros.
Por fim, em janeiro de 2012, entra em vigor uma nova regra do BC que altera a forma como os bancos devem contabilizar a venda de carteiras de crédito. Hoje, ao repassá-las, elas podem colocar em seus balanços o valor cheio da negociação. A partir do ano que vem, o dinheiro só poderá constar no balanço depois que efetivamente tiver entrado no caixa do banco. O objetivo é que eventuais calotes sejam devidamente computados nos resultados. Os bancos já iniciaram o processo de adaptação, que evidenciou buracos em alguns.
Ajustes. Apesar dos bilhões já colocados, os ajustes devem continuar. Dados do BC referentes ao primeiro semestre mostram que dez bancos têm Índice de Basiléia abaixo ou pouco acima do mínimo de 11% exigido pela autoridade monetária. Ou seja, são bancos pouco capitalizados e que vão precisar de recursos para crescer, sobretudo no crédito.
Além das operações que contaram com a ajuda do FGC - pois os bancos estavam com problemas no balanço -, bancos médios que estavam sólidos também fizeram reforço de capital. Um deles foi o Fibra, que recebeu recursos da família Steinbruch e do IFC (braço financeiro do Banco Mundial) em uma operação de R$ 240 milhões. Outro exemplo foi o banco Indusval, que fechou em março um aporte de R$ 200 milhões. (Estado)

Banco do Brasil rejeita avanços no Plano de Carreira e aposta na gestão pelo medo

Na segunda rodada de negociação da pauta específica, realizada hoje (14), em Brasília, os representantes do Banco do Brasil se limitaram em provocar o Comando dos Bancários, os funcionários. Além de negar e não propor nada no que se refere ao PCR (Plano de Carreira e Remuneração), ao PCC (Plano de Cargos Comissinados), a PLR, o banco AMEAÇOU cortar direitos; no caso retirar do aditivo a trava contra descomissinamento. “O BB não se reuniu para negociar. O tom da rodada foi de intimidação, arrogância, intransigência. Apostam, no impasse, quando os sindicatos estão abertos ao diálogo. Porém, tudo tem limites. A provocação - ou seja, sem proposta alguma - nos remete ao embate. Estamos, com certeza, preparados”, avalia o presidente do Sindicato, Jeferson Boava. Segundo ele, o Comando quer respostas para várias reivindicações; entre elas, plano de carreira com aumento no piso, nos interstícios e jornada de 6h para as funções comissinadas. E mais: critérios de ascensão mais claros e objetivos, como concurso interno e pontuação no TAO. “Sem falar nas questões de saúde, previdência, auxílio educação e nas pendências dos bancos incorporados, entre outras”.

Confira os principais pontos da segunda rodada.

Plano de Carreira e Remuneração

- Melhorar o PCR (Plano de Carreira e Remuneração) com a majoração do interstício na tabela por antiguidade (A1 - A12) para 6%, e com isso a amplitude aumentará para 1,90 (hoje é de 1,38);

- Todos os funcionários devem pontuar diariamente na carreira de mérito, enquadrando os caixas e escriturários nas faixas G1 a G4 de acordo com sua remuneração, com revisão no prazo de aceleração para que os funcionários possam atingir o final da carreira "M".

Plano de Cargos Comissionados

- Igualdade de oportunidades para as mulheres, com criação de regras para ampliar a presença de mulheres em cargos comissionados. Igualdade de oportunidades para negros e deficientes.

- Caixas - revisão da gratificação/comissão com unificação dos valores em todos os bancos, com dotação mínima de três caiex por agência, fim do PSO e Comissionamento automático de caixas após 90 dias de atuação.

- fim da lateralidade, com retorno do pagamento de todas as substituições.

- Revisão da pontuação do TAO da carreira dos egressos de bancos, considerando o histórico funcional com reconhecimento do tempo de serviço nos bancos incorporados, inclusive para efeito de contagem da carreira de mérito.

- Incorporação de 10% da comissão a cada ano de trabalho.

- Comissionamento: nomeação via provas de seleção interna.

- Reajuste da verba de aprimoramento profissional.

- Fim do modelo de segmentação BB 2.0 e da rotatividade de encarteiramento, que traz insegurança aos gerentes de contas.

- Fim da trava de dois anos para comissionamentos e transferências.

Funcionários oriundos de bancos incorporados optantes:

- Igualdade de oportunidade em comissionamentos para todos.

- Extensão dos direitos e benefícios do aditivo sem restrição aos não optantes.

- Desmembramento do VCPI, em VCP-I e VCP de VP, com revisão dos reajustes do VCP de VP do acordo de 2010.

- Direito de uso do PAS para todos.

PLR:

- Parcela com distribuição linear deve ser de 5% do lucro líquido sem limites.

- Módulo bônus para todos, inclusive para cedidos e afastados por licença saúde.

- Pagamento de parcela variável na PLR para atendentes de CABB, Auxad´s, etc. no mínimo igual a dos Caixas.

- Quantidade de salários paradigma para comissionados deve ser igual em todos os níveis comissionados.

- Vale Transporte: Garantir o uso de transporte intermunicipal.

- Criação do Auxilio Educação.

- Reajuste do valor das diárias de viagens a serviço e do valor do reembolso de combustível em caso de uso de automóvel próprio em 50% nos casos de serviços externos.

Próxima rodada: dia 20, em São Paulo. A primeira rodada aconteceu no último dia 9.


Fonte: Feeb-SP/MS - Contraf

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Bancos desrespeitam bancários e nada apresentam de remuneração


Bancos desrespeitam bancários e nada apresentam de remuneração

  
Crédito: Jailton Garcia
Jailton Garcia
Em mais uma demonstração de desrespeito e enrolação, a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) negou todas as reivindicações apresentadas pelos bancários em relação aos itens de remuneração da pauta da categoria. Na reunião ocorrida nesta segunda-feira (12), o Comando Nacional dos Bancários, coordenado pela Contraf-CUT, cobrou, entre outros pontos prioritários, reajuste salarial de 12,8% (inflação do período mais aumento real de 5%), PLR de três salários mais R$ 4.500, piso do Dieese (R$ 2.297,51 em junho).

A Fenaban também recusou a valorização do vale-refeição, cesta-alimentação, 13ª cesta-alimentação e auxílio creche/babá, no valor do salário mínimo, hoje em R$ 545, bem como rejeitou a implantação de Plano de Carreiras, Cargos e Salários (PCCS) e de planos de previdência complementar em todos os bancos. Como se não bastasse, os banqueiros negaram o pagamento de salário substituto e a gratificação semestral de 1,5 salário para todos os bancários.

"É inadmissível que setor financeiro com ganhos tão elevados se negue a valorizar os seus funcionários, enquanto altos executivos ganham até 400 vezes mais do que o piso do bancário. O Brasil está entre os dez países com a pior distribuição de renda do mundo e, para mudar essa situação, é necessário aumentar salários", afirma Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT e coordenador do Comando Nacional. "O discurso de que os bancos não podem elevar os seus custos não convence ninguém. Os maiores bancos do país lucraram mais de R$ 25 bilhões somente no primeiro semestre de 2011", sustenta.

Essa foi a terceira rodada de negociações da Campanha Nacional 2011. Nas duas primeiras rodadas, foram discutidos os temas de emprego, igualdade de oportunidades, saúde do trabalhador, segurança bancária e questões sociais. 

"A Fenaban já está há um mês com as demandas dos bancários e, em três reuniões, discutindo as reivindicações da Campanha Nacional, os banqueiros não aceitaram nenhuma de nossas demandas e não apresentaram nenhuma proposta concreta", lamenta Cordeiro. "É uma sinalização muito ruim que revela um profundo descaso com quem produz os resultados fabulosos dos bancos", sustenta.

Uma nova rodada de negociação ficou agendada para o próximo dia 20, terça-feira, em São Paulo. A Fenaban prometeu apresentar uma proposta global para a categoria. "Esperamos que os bancos venham com uma proposta concreta que contemple as reivindicações da categoria, envolvendo remuneração digna, emprego, saúde, condições de trabalho, segurança e igualdade de oportunidades", alerta Carlos Cordeiro.

Mobilização cresce em todo Brasil

O Comando Nacional orientou a realização de três dias nacionais de mobilização nesta semana para discutir com a categoria os temas da minuta de reivindicações discutidos nas três reuniões realizadas entre bancários e Fenaban. Novamente a participação é determinante, pois precede a apresentação de propostas pelos bancos. "Vamos pressionar os bancos para que apresentem propostas sobre todos os temas que preocupam os bancários em seu dia a dia, a fim de que tenhamos emprego decente", sustenta Cordeiro.

A postura intransigente dos bancos, que não apresentaram propostas para garantir emprego decente, aposentadoria digna, aumento real, mais empregos, fim da rotatividade e combate à terceirização, dentre outras demandas, está aumentando a insatisfação dos bancários e intensificando a mobilização e a unidade nacional da categoria. Em vista disso, os bancos têm apelado para práticas antissindicais e ameaças de descontar os dias parados em caso de greve, como forma de tentar desmobilizar a categoria que desde 2004 conquista aumento real de salários com mobilização e greves.

"É um absurdo essa posição dos bancos que não trouxeram nenhuma proposta e já estão apostando no confronto", afirma Carlos Cordeiro. "A categoria deve mostrar que não vai aceitar essa postura e fazer uma campanha ainda mais forte que a de 2010, quando realizou a maior greve dos últimos 20 anos, que arrancou aumento real pelo sétimo ano consecutivo e a maior valorização do piso", completa.

Veja o calendário das mobilizações:

Dia 14 - emprego e igualdade de oportunidades
Dia 15 - saúde, condições de trabalho e segurança
Dia 16 - remuneração

Confira o calendário das negociações:

Dia 13 - negociação específica com a Caixa
Dia 13 - negociação específica com o Banco do Nordeste
Dia 14 - negociação específica com o Banco do Brasil
Dia 16 - negociação específica com o Banco da Amazônia
Dia 20 - quarta rodada de negociação com a Fenaban
Dia 20 - negociação específica com o Banco do Brasil 

Fonte: Feeb-SP/MS - Contraf