quinta-feira, 16 de agosto de 2012


Onda de greves se alastra e desafia governo Dilma

    
                                                                                       DE BRASÍLIA
A greve dos servidores federais ganhou ontem a adesão de policiais rodoviários e ameaça se tornar a paralisação mais ampla do funcionalismo desde o começo do governo Lula (2003-2010), desafiando a gestão da presidente Dilma Rousseff.
Greve da PF vai ao 3º dia com operação-padrão em aeroportos
Operação da PRF causa lentidão em rodovias de sete Estados
Os números oficiais e do movimento não batem. Nas contas sindicais, ao menos 27 órgãos federais foram diretamente afetados, entre greves, suspensão temporária de trabalho ou operações-padrão.
As paralisações já prejudicam o cotidiano da população. Ontem, pelo menos oito estradas ficaram congestionadas por causa de uma fiscalização intensa de veículos. Aeroportos e até a área da saúde, com a retenção de remédios importados em depósitos, estão sendo afetados. Universidades federais estão paradas há quase três meses.
Ontem, em Brasília, grevistas tentaram subir a rampa do Palácio do Planalto, mas foram contidos por policiais.
Até agora, o governo negocia apenas com funcionários de universidades federais.

VAIAS
O ministro responsável por negociar com movimentos sociais, Gilberto Carvalho (Secretária-Geral), foi vaiado e chamado de traidor em um congresso por manifestantes da CUT, tradicional braço sindical do petismo.
"Traidor, traidor", ouviu. "A greve continua. Dilma a culpa é sua!". Carvalho discutiu aos gritos com a plateia.
Ao fim, o presidente da CUT, Vagner Freitas, comentou: "Se eu fosse presidente, destituía o ministro."
"Houve greves grandes, mas eram concentradas em um setor. Essa tende a se ampliar", disse Artur Henrique, dirigente da CUT.
A decisão do governo de punir grevistas com descontos e não conceder reajustes acirrou os ânimos. Outra medida que desagradou servidores foi um decreto, de julho, facilitando a troca de grevistas por funcionários estaduais e municipais.
Para os sindicatos, há mais de 300 mil funcionários parados entre os 573 mil servidores. O Ministério do Planejamento diz que isso é irreal. "Se fosse tal como é dito, teríamos o serviço totalmente comprometido, e não está. Há pouquinha gente parada e muita fazendo barulho", disse o secretário de Relações do Trabalho, Sérgio Mendonça.
Ele refuta o status de pior greve dos últimos anos e lembra paralisações nos governos Lula e FHC, mas o governo diz não saber quantos servidores estão parados. O país "enfrentou momentos difíceis" com greves antes, disse.
Também repercutiu mal entre sindicalistas e setores do governo a afirmação do secretário do Tesouro, Arno Agustin, dizendo que a greve acabaria no dia 31, com o envio do Orçamento de 2013 para o Congresso, o que encerraria a possibilidade de negociação salarial.
"Nós entendemos que a crise [internacional] é grave. Mas, diante da crise, tem que flexibilizar o superávit primário [economia para pagar juros da dívida] e recuperar carreiras", disse Artur Henrique.

Brasileiros ignoram valor das taxas que gastam para manter conta corrente

Estado de Minas

O consumidor reclama das tarifas bancárias e dos altos juros cobrados pelos empréstimos feitos com as instituições financeiras, mas é acomodado e faz pouco esforço para tentar pagar menos. Os dados fazem parte de levantamento da Proteste Associação de Consumidores, que ouviu 5,09 mil pessoas no país.

O estudo mostra que os clientes dos bancos costumam ser leais, mas não se informam sobre o custo para manter a conta ou outros tipos de crédito. 

Apesar da possibilidade de portabilidade, o levantamento constatou que 74% dos clientes mantêm a principal conta corrente no mesmo banco em que recebem o salário ou pensão. Mais da metade (52%) não troca de instituição financeira há pelo menos 10 anos.

Cerca de 39% dos entrevistados não sabiam informar quanto pagam pela sua conta-corrente. Entre os que sabem, o valor médio gasto por mês é de R$ 54,93. A pesquisa mostra ainda que os bancos deixaram a desejar no valor dos juros e tarifas (muito altos) e na transparência das informações. 

"Mas o consumidor também não conhece bem o seu perfil para poder contratar os serviços e pagar menos. Ele precisa definir as prioridades como cliente do banco para não ter o ônus do produto que não precisa", avalia Maria Inês Dolci, coordenadora institucional da Proteste.

Um programa de aconselhamento ao crédito poderia ajudar o consumidor brasileiro, segundo avaliação da Proteste. O programa orientaria sobre qual crédito escolher e qual a melhor forma de pagamento, evitando assim que voltasse a pedir empréstimo com a finalidade de pagar o primeiro débito. 

Os entrevistados possuem, em sua maioria, dois cartões de crédito (60%) e pagam anuidade média de R$ 61 para cada um. Cada cartão apresenta limite médio de R$ 2.984,20. "Se a pessoa gasta muito, é recomendado que tenha um só cartão, pois tem controle maior do débito", observa Maria Inês.

O crédito rotativo é prática comum de percentual considerável (20,5%) de entrevistados que não consegue pagar o total da fatura. Dos consumidores que têm um segundo empréstimo pessoal, 26,3% afirmaram que solicitaram o crédito para pagar outras dívidas. "Isso demonstra uma falta de planejamento e a incapacidade de pagar o débito com o salário que ganha", diz Maria Inês.

"Escolho o meu banco pelo gerente. Já teve vez que cheguei a mudar de instituição em função dele", afirma a empresária Fernanda Grossi
O médico Vicente de Paula retrata bem o perfil médio do consumidor detectado pela pesquisa. Ele é cliente de três instituições bancárias: Itaú, Sistema de Cooperativas de Crédito do Brasil (Sicoob) e Bradesco. No Itaú, ele é cliente há 40 anos, no Bradesco há 12 anos, e no Sicoob há 13. 

"Não posso fazer a opção de um único banco, pois recebo os honorários em instituições diferentes", afirma. Na sua opinião, os bancos poderiam remunerar melhor o dinheiro do consumidor. "Eles (os bancos) deveriam remunerar a nossa conta corrente por pelo menos a metade da taxa de juros que empresta", observa.

A empresária Fernanda Grossi é cliente há mais de 10 anos do Santander. A sua conta de empresa é no Banco do Brasil. Ela conta que já pensou em sair, mas o que define a sua escolha é o tratamento do gerente da instituição. "Escolho pelo gerente. Já teve vez que cheguei a mudar de banco em função dele", diz.

ENDIVIDAMENTO FAMILIAR 

A facilidade de obtenção de crédito, a falta de planejamento familiar e as altas taxas de juros cobradas pelo mercado impulsionam o endividamento dos consumidores, segundo outro levantamento divulgado ontem pela Proteste. A pesquisa ouviu 200 pessoas e constatou que, quando uma família assume uma dívida, paga em média 189% a mais por ano do que o valor real do bem financiado.

As famílias que participaram do estudo têm renda média de R$ 2.401 e declararam pagamentos de dívidas de R$ 1.009,45, em média, o que resulta em comprometimento de 42% da renda para pagamento de débitos. O estudo mostrou que as famílias têm em média três dívidas ativas. Entretanto, 23% das famílias têm cinco dívidas ou mais. 


Fonte: Estado de Minas

Comando suspende negociações com morte do ex-dirigente sindical Manolo.

  
Crédito: Seeb São Paulo
Seeb São PauloManolo morre aos 49 anos e deixa esposa Deborah e dois filhos, Beatriz e Diogo

A segunda rodada de negociação da Campanha 2012 entre o Comando Nacional dos Bancários e a Fenaban foi suspensa nesta quarta-feira 15, em razão do falecimento do ex-dirigente sindical Manoel Castaño Blanco, conhecido como Manolo, marido da assessora jurídica da Contraf-CUT, dra. Deborah Regina Rocco Castaño Blanco. As negociações serão retomadas na próxima terça-feira, dia 21, às 10h. 

O Comando terminava as discussões sobre saúde com a Fenaban, às 13h, quando a dra. Deborah, que participava da mesa de negociação, recebeu a notícia da morte do marido, vítima de acidente vascular. O Comando solicitou então a suspensão da rodada de negociação, que continuaria à tarde e nesta quinta-feira, para discutir segurança bancária, igualdade de oportunidades e remuneração.

Ex-funcionário do Banco Safra, Manolo foi diretor do Sindicato dos Bancários de São Paulo de 1991 a 2002, onde comandou as Secretarias Jurídica, Cultural e de Imprensa. Foi também um dos responsáveis pela criação da Comissão de Segurança Bancária do Sindicato nos anos 1990.

Manolo tinha 49 anos e deixa esposa e dois filhos, Beatriz e Diogo. O corpo será cremado nesta quinta-feira 16, às 11h, no Memorial Crematório, situado na rua Nilo Peçanha, 50, saída da Anchieta, atrás da Beneficência Portuguesa Cemitério Vertical, no bairro de Marapé, em Santos. 

Consternada, a Contraf-CUT manifesta sentimentos de apoio e solidariedade aos amigos e familiares de Manolo e da dra. Deborah.


Fonte: Contraf-CUT

quarta-feira, 15 de agosto de 2012


Banco do Brasil fecha primeiro semestre com lucro de R$ 5,69 bilhões
O balanço do Banco do Brasil divulgado nesta terça-feira 14 apresenta lucro líquido de R$ 3,008 bilhões no segundo trimestre deste ano, declínio de 9,7% na comparação com o mesmo período de 2011, mas um aumento de 20,2% comparado com o primeiro trimestre de 2012. De janeiro a junho, o banco teve lucro ajustado de R$ 5,69 bilhões, queda de 7,5%. A redução foi impactada por aumento nas provisões para perdas com empréstimos, mas os resultados ficaram acima do esperado pelo mercado, segundo avaliação da agência Reuters.

"Assim como os bancos privados, o Banco do Brasil também usou o truque de reduzir contabilmente o lucro líquido ao elevar desproporcionalmente as provisões para devedores duvidosos mesmo com a estabilização da inadimplência, que no BB está abaixo do sistema financeiro como um todo", afirma William Mendes, diretor da Contraf-CUT e coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do banco.

"Isso mostra que o resultado do BB foi muito bom e ele tem todas as condições de atender às reivindicações do funcionalismo na campanha nacional deste ano", acrescenta William.

Inadimplência tem queda

O índice de inadimplência para operações vencidas a mais de 90 dias do Banco do Brasil encerrou junho com leve queda de 0,1 ponto porcentual, passando de 2,2% no primeiro trimestre deste ano para 2,1% ao final de junho, considerando os atrasos acima de 90 dias. A inadimplência representa 3,8% - abaixo dos demais grandes bancos.

As provisões para devedores duvidosos (PDD) totalizaram R$ 6,934 bilhões no primeiro semestre deste ano, aumento de 26,57% na comparação com os R$ 5,478 bilhões registrados no mesmo período de 2011. As despesas com PDD aumentaram 20,7% no segundo trimestre deste ano ante o mesmo intervalo do ano passado. A variação, segundo o BB, está em linha com o crescimento da carteira de crédito (classificada) de 19,9% no período.

Se desconsideradas as operações do Banco Votorantim, a carteira de crédito classificada do BB cresceu 22% em relação a junho de 2011, porcentual superior ao aumento das respectivas despesas de PDD no período, de 12,6%. Segundo o relatório que acompanha as demonstrações do BB, no segundo trimestre, houve reversão de PDD adicional no montante de R$ 223 milhões, tratada como "item extraordinário".

O BB encerrou junho com ativos totais de R$ 1,1 trilhão. Em 12 meses, os ativos da instituição aumentaram 16,3%.

Operações de crédito crescem 23%

A carteira de crédito do BB, incluindo avais e fianças, totalizou R$ 508,1 bilhões no final de junho, expansão de 8,5% ante março e de 23,1% em 12 meses. Quando considerado o Banco Votorantim e carteiras adquiridas, a alta foi de 13,6% em um ano e 5% ante o trimestre anterior. No segmento de empresas, o crédito cresceu 10,7% no segundo trimestre ante os três primeiros meses do ano e 25,7% em 12 meses.

O patrimônio líquido do BB ficou em de R$ 62,3 bilhões em junho, alta de 14,1% ante o mesmo período do ano passado. Já o retorno sobre o patrimônio líquido médio do banco público foi de 19,3%, inferior aos 25,4% vistos no mesmo período do ano passado. O BB encerrou o semestre com 19,5% de participação de mercado.

Fonte: Contraf-CUT, com Agência Estado

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Lucro da Caixa cresce 25,2% e atinge R$ 2,8 bilhões no primeiro semestre

  
A Caixa Econômica Federal atingiu lucro líquido de R$ 2,8 bilhões no primeiro semestre deste ano - expansão de 25,2% em comparação ao obtido no mesmo período do ano passado. O desempenho foi atribuído ao resultado das operações de crédito, cujo saldo alcançou R$ 297,6 bilhões em junho, o que corresponde a crescimento de 44,6% em 12 meses.

Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (9) pelo presidente da instituição, Jorge Hereda. "Com este resultado, que é o maior lucro da história do banco, conseguimos provar que estamos com a estratégia correta ao reduzir os juros em 31% e aumentar a base de crédito, mantendo a inadimplência sob controle", disse Hereda.

Segundo ele, a taxa de inadimplência está estável em 2,04%, em comparação a junho do ano passado. De acordo com o balanço, a instituição injetou na economia R$ 226 bilhões, incluindo as contratações de crédito, os repasses de benefícios sociais e investimentos.

A provisão para créditos de liquidação duvidosa subiu para R$ 10,207 bilhões, o que representa um crescimento de 28,16% em relação ao primeiro semestre do ano passado, que foi de R$ 7,964 bilhões.

Mais empregos

Segundo análise do Dieese, o balanço do primeiro semestre aponta um total de 89.035 empregados, o que representa a geração de 4.615 empregos em comparação com o mesmo período de 2011, quando o banco tinha 84.420 trabalhadores, um crescimento de 5,47%.

Os dados revelam também o aumento de 7,93% no número de agências, que totalizaram 2.409 ao final do primeiro semestre, representando a abertura de 177 dependências em relação ao mesmo período do ano passado, quando a empresa somava 2.232.

"Esses números reforçam a luta das entidades sindicais e representativas por mais contratações, visando atingir o total de 100 mil empregados, na medida em que cresceu a quantidade de agências e a massa de serviços por conta da ampliação do crédito", avalia Jair Ferreira, coordenador nacional da Comissão Executiva dos Empregados (CEE/Caixa), que assessora a Contraf-CUT nas negociações com o banco. 

"A ampliação do número de empregados é também fundamental para a melhoria das condições de saúde e trabalho, uma vez que há sobrecarga de serviços e adoecimento de muitos trabalhadores", ressalta o dirigente.

Outros números do balanço

O Dieese frisa que as receitas de prestação de serviços, que incluem as tarifas bancárias, subiram para R$ 6,849 bilhões no primeiro semestre, o que significa um aumento de 11,62% em relação ao mesmo período ano passado, que foi de R$ 6,136 bilhões.

As captações de recursos somaram R$ 285,3 bilhões, com destaque para as cadernetas de poupança com captação líquida de R$ 6,7 bilhões, quase o triplo do valor registrado no primeiro semestre de 2011. O saldo semestral encerrou em R$ 161,9 bilhões e participação de 36,1% no mercado.

No primeiro semestre, a base de clientes da Caixa alcançou 62 milhões de correntistas e poupadores, o que representa crescimento de 11,7% em relação ao mesmo período de 2011.

A carteira de crédito imobiliário, a principal do banco, chegou a R$ 177,2 bilhões (pessoa física e jurídica), o que significa 37,1% superior ao valor alcançado em relação a igual período do ano passado. No segmento, a Caixa responde por 72,6% do mercado.

O banco elevou de 33% para 42% a previsão de crescimento da carteira de financiamento em 2012. "Nossa estratégia está dando certo e vamos continuar nela", disse o presidente da Caixa, durante coletiva de imprensa.

Mobilização

Para Jair, "todo esse imenso resultado, fruto do empenho e dedicação dos empregados, deve motivar cada colega a participar ativamente da mobilização da Campanha Nacional dos Bancários 2012, reforçando a unidade nacional da categoria para arrancar novas conquistas econômicas e sociais nas negociações com a Fenaban, bem como novos avanços nas rodadas com a Caixa sobre a pauta específica de reivindicações".


Fonte: Contraf´-CUT com agências e Dieese

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Banqueiros se negam a discutir metas abusivas que adoecem bancários.

  
Crédito: Jailton Garcia - Contraf-CUT
Jailton Garcia - Contraf-CUTComando Nacional cobra dos bancos melhores condições de saúde e trabalho

"Não existem metas abusivas nos bancos. Elas são apenas desafiadoras. O assédio moral, quando existe, é resultado do desvio de caráter de alguns gestores. As reclamações que existem nos locais de trabalho são normais, parecidas com as dos filhos que se queixam das cobranças dos pais, dos alunos que protestam contra exigências dos professores e dos atletas que reclamam do rigor dos técnicos." 

Foi isso o que os bancos alegaram nesta quarta-feira 8 ao Comando Nacional dos Bancários, coordenado pela Contraf-CUT, durante o segundo dia da primeira rodada de negociação da Campanha 2012, bloqueando as discussões sobre saúde e condições de trabalho e as reivindicações dos trabalhadores pelo fim das metas abusivas e do assédio moral, que estão provocando uma verdadeira epidemia de adoecimentos nas unidades.

"Os bancos querem naturalizar e individualizar a violência organizacional, como se ela fosse um desvio de caráter e a culpa, em última instância, fosse dos próprios bancários. Nós discordamos disso. Consideramos que o assédio moral é uma questão coletiva, resultado de um modelo de gestão equivocado, gerador de doenças", afirma Walcir Previtale, secretário de Saúde do Trabalhador da Contraf-CUT. 

Os dirigentes sindicais expuseram essa visão aos representantes dos bancos e reafirmaram a reivindicação de que é preciso que os bancários participem da discussão das metas. "O problema hoje é de violência organizacional. Por que não fazemos uma pesquisa para ouvir os bancários, de modo a efetuarmos uma radiografia conjunta do problema?", propôs Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT e coordenador do Comando Nacional.

Os bancos recusaram tanto a realização da pesquisa como a inclusão dos bancários na discussão sobre o estabelecimento de metas. Eles alegam que isso significaria submeter a gestão dos bancos ao escrutínio dos bancários. 

Combate ao assédio moral

O Comando Nacional cobrou dos bancos uma reavaliação do instrumento de combate ao assédio moral previsto na Convenção Coletiva com adesão espontânea para bancos e sindicatos. "Esse instrumento precisa ser avaliado. Ele é insuficiente e precisa de ajustes. Tem havido reincidências e, como é voluntário, não envolve todos os bancos", destaca Juvandia Moreira, presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo.

Ela citou o caso de sua base sindical, onde há 640 casos de assédio moral registrados, muitos dos quais discutidos em cada local de trabalho, sem utilização do instrumento previsto na Convenção Coletiva. Há casos de respostas-padrão dos bancos que aderiram. "Esse instrumento precisa ser aprimorado", defendeu.

Programa de Reabilitação profissional

O Comando Nacional questionou os bancos sobre a razão pela qual nenhum deles aderiu ainda ao Programa de Reabilitação Profissional, que está desde 2009 na Convenção Coletiva. Pelo acordo, cuja implementação é opcional, os bancos devem instituir programas de reabilitação visando assegurar condições para a manutenção ou a reinserção ao trabalho do bancário com diagnóstico de adoecimento, de origem ocupacional ou não.

"O que observamos é que a grande maioria dos trabalhadores, ao retornarem ao trabalho depois de um determinado período de afastamento, é recolocada no mesmo posto de trabalho que o adoeceu, sem nenhuma mudança nas condições e no ritmo de trabalho", salienta Walcir.

A Fenaban tentou fugir do questionamento, sugerindo remeter a questão à mesa temática de saúde e condições de trabalho, mas os dirigentes sindicais cobraram uma solução na mesa de negociação. Por fim, a Fenaban se comprometeu a fazer reuniões com os bancos e procurar resolver o assunto ainda na atual Campanha Nacional. 

Nova rodada de negociação

Os debates sobre saúde e condições de trabalho continuarão na segunda rodada de negociação, que ocorre na próxima quarta 15 e quinta-feira 16, em São Paulo. Também serão discutidas as reivindicações sobre segurança bancária, igualdade de oportunidades e remuneração.

O Comando Nacional se reúne na terça-feira 14, às 10h, na sede da Contraf-CUT, para preparar os debates com os bancos. 


Fonte: Contraf-CUT

quarta-feira, 8 de agosto de 2012


Itaú Unibanco fecha 9 mil vagas, aponta reportagem do Estadão

08/08/2012

O Itaú Unibanco, o maior banco privado do País, fechou 9 mil postos de trabalho em um ano - mais de 40% apenas no segundo trimestre. A redução do número de vagas acompanha uma tendência do setor, mas é mais expressiva que nos concorrentes. O assunto preocupa o sindicato dos bancários e se tornou tema da campanha salarial da categoria, que começou ontem.

De acordo com dados obtidos no balanço do banco, o Itaú Unibanco empregava 92.517 pessoas no País em junho deste ano, 9.014 menos que em junho de 2011. Boa parte dessa redução ocorreu recentemente, com um corte de 3.777 vagas entre março e junho. De janeiro a junho, o saldo é negativo em 5.741 postos.

Bradesco e Santander também reduziram o número de trabalhadores no segundo trimestre, mas em volume menos significativo. Foram fechadas 571 vagas no Bradesco e 135 no Santander de março a junho. No acumulado do ano, o saldo é negativo em 153 postos no Bradesco e positivo em 316 no Santander.

Entre junho de 2011 e junho deste ano, Bradesco e Santander registraram aumento no número de funcionários - 6.214 e 1.557 novas vagas, respectivamente. No Bradesco, com a perda do Banco Postal para o Banco do Brasil, houve abertura de novas agências e contratações.

Procurado pelo Estado, o Itaú Unibanco informou por meio de nota que os recentes desligamentos estão ligados à venda da processadora de cartões Orbitall - cerca de 40% do total - e que na fusão remanejou 2 mil funcionários. "A prioridade do Itaú Unibanco é a busca constante de eficiência, não demitindo e, sim, realocando profissionais."

Para os representantes dos trabalhadores, os cortes ainda são um reflexo da fusão. Em 2008, os dois bancos empregavam 108.458 pessoas - 77.354 no Itaú e 37.104 no Unibanco. Em relação ao total de colaboradores hoje, foram fechados 15.941 postos.

Os sindicalistas também atribuem os cortes de vagas ao crescimento dos correspondentes bancários - casas lotéricas, lojas de roupas, farmácias e outros varejistas que realizam operações como abertura de conta-corrente, serviço de cobrança e crédito.

Segundo o Banco Central, entre maio de 2011 e julho deste ano, os correspondentes bancários saíram de 160 mil para 332 mil. Os três maiores bancos privados registraram crescimento dos correspondentes, mas em magnitudes diferentes: a alta foi de 5,0% no Santander, 64% no Bradesco e 256% no Itaú Unibanco.

"O emprego bancário está sendo deslocado", afirma Juvandia Moreira, presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região. Para Bárbara Vallejos, técnica do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio Econômicos (Dieese), os bancos estão atendendo os novos clientes da classe C por meio do correspondente bancário, enquanto mantêm nas agências as contas maiores.

Reversão
O emprego no setor bancário, que vinha crescendo com vigor, sofreu uma reversão, acompanhando o desaquecimento da economia. No primeiro semestre, foram abertos 2.350 novos postos, abaixo dos 11.978 do mesmo período de 2011, revela pesquisa do Dieese e da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf), com base em dados do Ministério do Trabalho.

O resultado só foi positivo por conta da Caixa Econômica Federal, que aumentou em 3.492 o número de vagas. Nos bancos múltiplos com carteira comercial, que inclui Itaú Unibanco, Bradesco, Santander e Banco do Brasil, o saldo foi negativo em 1.209 postos de trabalho.

"Os bancos privados se esconderam atrás dos bancos públicos, que estão contratando", disse Carlos Cordeiro, presidente da Contraf. Para o sindicalista, os bancos querem ampliar sua eficiência reduzindo o número de trabalhadores, porque perderam rentabilidade com a queda da taxa de juros promovida pelo governo federal.

Em nota enviada à reportagem, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) informou que o quadro total de funcionários do setor continua crescendo. Em junho de 2012, eram 509 mil pessoas, uma alta de 0,4% em relação aos 506.723 de dezembro de 2011. No ano passado, foram criados mais de 20 mil empregos, um aumento de 4,9% comparado com 2010. "O sistema bancário apresenta a menor rotatividade dentre todos os setores da economia", diz a nota.

Fonte: O Estado de S.Paulo