segunda-feira, 13 de junho de 2016

Bancos estudam acabar com rotativo do cartão de crédito
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13/06/2016



A Abecs (associação das empresas de cartões) deve apresentar nos próximos meses uma proposta para diminuir gradativamente o uso do rotativo do cartão de crédito e até extingui-lo. A linha é utilizada quando o cliente não paga o total da fatura mensal. (Eduardo Cucolo)

A avaliação é que a modalidade traz mais perdas do que ganhos para as empresas. Além de despesas e prejuízos com a inadimplência, o produto prejudica a imagem dos bancos e o relacionamento com o cliente.

A má fama do cartão está na taxa de juros do rotativo, de 450% ao ano, em média, o que leva a uma alta inadimplência, de 36%, segundo a Abecs. Já considerando todas as linhas de crédito para pessoa física, a taxa é de 4,3%, segundo o Banco Central.

O crédito rotativo responde por 20% dos recursos movimentados pelos usuários de cartões, diz a associação.
Outra opção para quem não pode pagar toda a fatura, que responde por menos de 10% das concessões, é definir com a administradora a quantidade de parcelas em que o débito será quitado, com juros menores do que no rotativo, em torno de 150% ao ano. O patamar é próximo de uma linha de crédito pessoal, mas bem superior ao crédito consignado, por exemplo.

Marcelo Noronha, presidente da Abecs, afirma que entre as iniciativas em estudo está limitar o prazo em que o cliente pode ficar no rotativo e, a partir daí, migrá-lo para uma linha de crédito com juro menor.

A solução pode ser definitiva ou vigorar por um período de transição, depois do qual o produto acabaria.

ESTRATÉGIA 
O mais provável é que o setor proponha três ou quatro opções que serão adotadas pelos bancos de acordo com a estratégia de cada um. "Você poderia eliminar o rotativo. É uma possibilidade em discussão", diz Noronha.

As mudanças não dependeriam do governo, embora devam passar pelo crivo do Banco Central. "Se for num caminho que atenda ao desejo da sociedade e do setor, então talvez isso seja suficiente para virar essa página."

Na prática, uma parte das propostas da Abecs já tem sido adotada pelos bancos, que, com o agravamento da crise e do desemprego, temem perder clientes.
O vice-presidente de Negócios de Varejo do Banco do Brasil, Raul Moreira, diz que a ordem é não deixar ninguém pendurado por mais de 30 dias. Após 15 dias, o BB passa a oferecer opções com juros mais baratos.

Segundo a instituição, cerca de 20% dos clientes nessa linha são pessoas de alta renda. Outros 60% têm linhas com taxas menores à disposição, como o consignado, mas desconhecem a opção ou resistem em fazer a troca.

Os que realmente não têm outra opção são cerca de 20%. "Não adianta ter lei se o cliente tiver uma percepção errada sobre o produto", afirma Moreira.
Marcos Magalhães, diretor da área de cartões do Itaú Unibanco, afirma que o banco sempre incentivou o uso do parcelado com juros, que até supera as suas operações com rotativo.

"Como estamos vivendo uma época de crise, a gente está sendo ainda mais incisivo com os clientes", diz. "A gente indica outras linhas mais baratas. A receptividade é altíssima."

Rodrigo Cury, superintendente executivo de cartões do Santander, afirma que o banco incentiva os clientes a trocarem essas dívidas por produtos da linha "crédito sob controle".

"O cheque especial e o rotativo são créditos emergenciais, para quando há um problema de dias ou de uma semana. Não deve financiar o dia a dia", completa.

POR DENTRO DO CARTÃO DE CRÉDITO

O que é o rotativo do cartão? 

É uma linha de crédito pré-aprovada, contratada pelo cliente quando ele paga um valor abaixo do total devido no cartão de crédito. Tem taxa de juro de 450% ao ano, a mais cara entre todas as linhas

Por que esse crédito é tão caro? 

Quanto mais fácil pegar o empréstimo, mais caro ele vai custar. Isso porque a facilidade de contratação do crédito aumenta a chance de o cliente não conseguir pagar a dívida. Como o calote é um custo para o banco, ele cobra mais para compensar esse risco

O que é o parcelamento de fatura? 

Quando o consumidor percebe que não vai conseguir pagar o valor integral da fatura, ele pode optar por parcelar o valor devido. Nessa linha, os juros médios são de 150% ao ano

Parcelar a fatura é vantajoso? 

A linha é mais barata que as taxas de juros do rotativo, mas ainda é um crédito caro. Se o cliente está endividado no cartão, o melhor é negociar com o banco um empréstimo pessoal mais barato. Algumas opções são o crédito consignado ou o empréstimo com bem como garantia (como o imóvel ou o carro)

Por que os bancos querem acabar com o rotativo?

Eles alegam que, além do custo para o banco com a inadimplência, as altas taxas de juros sujam a imagem da instituição financeira.

Na prática, a tendência é que o cliente que tenha aumentado muito sua dívida no cartão nunca volte a usar o produto. A instituição também corre o risco de perder o correntista para um concorrente após a experiência ruim.

Fonte: Folha.com
Gilberto Occhi: ‘Privatização da Caixa está fora das discussões’
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13/06/2016



Gilberto Occhi assumiu a presidência da Caixa disposto a botar pingos nos “is” em relação ao futuro da instituição. “Muito se fala que se vai privatizar a Caixa. Está fora de qualquer escopo. Não tem esse trabalho, esse discurso, essa diretriz”, frisa. Nem mesmo uma abertura de capital à participação privada – o que daria à Caixa estrutura societária semelhante à do Banco do Brasil e da Petrobrás – está em discussão, apesar dos projetos de parceria privada em três segmentos: loterias, seguridade e cartões.

Occhi recebeu o Estado na sede da instituição, na quinta-feira, para a primeira entrevista exclusiva desde a posse, no dia 1º. Ele fala também da desaceleração do crédito nos últimos anos e do foco do banco nas em linhas tradicionais. A seguir, os principais trechos.


Quais os planos da Caixa para seguros, loterias e cartões?

Não temos intenção de privatizar essas áreas. Vamos continuar com o controle, mas trazer parceiros que possam dar retorno maior sobre as operações e alavancar esses negócios. Queremos fortalecer negócios e melhorar ativos. Muito se fala que se vai privatizar a Caixa. Está fora de qualquer escopo. Não tem esse trabalho, esse discurso, essa diretriz. Nem do governo nem da Caixa. As discussões do IPO da Caixa Seguridade e a renovação do contrato com os franceses (CNP Assurances) estão na agenda com a equipe econômica. Para entrar ainda este ano, depende do mercado. Nas loterias, o modelo é uma joint venture. O preço dos ativos está oscilando muito, o que dificulta qualquer negócio. Já a área de cartões é importante e será prioritária para a Caixa. Temos muitas oportunidades. É principalmente rentável, dentro do nosso objetivo de sustentabilidade e eficiência. Estamos fazendo esse trabalho e, se resolvermos pela abertura de capital ou outra parceria, vamos fazer.

Depois dessas três etapas, o caminho seria que a própria Caixa abrisse o capital até o fim do governo do presidente Temer?

Não acho que tenhamos espaço para essa discussão.

A presidente afastada Dilma Rousseff chegou a prometer, no fim de 2014, que o banco teria ações em Bolsa.

Eu estava no governo. Não era essa a intenção. Talvez tenha ocorrido um erro de comunicação. Por isso, corrigiram para a Caixa Seguridade, área que tinha condição de ser feita, já tínhamos estudo.

Qual o impedimento para a abertura do capital da Caixa?

Nunca avaliamos isso. A Caixa teve um período muito difícil, há uns 15 anos, e teve apoio do governo. O banco é importante dentro das políticas de governo. Se fosse tão simples assim, já teria sido feito. A Caixa tem característica que a diferencia dos outros bancos, que é a carteira de governo, a prestação de serviços. É diferente de uma abertura de capital, que visa mais à rentabilidade do que ao atendimento social.

Com capital aberto, ficaria mais difícil usar a Caixa como instrumento de política pública?

Acabaria tendo outras funções, eventualmente teria de respeitar a decisão dos outros acionistas e não teria a possibilidade de atender a uma ação de governo. Todas as ações de governo são rentáveis. Boa parte da nossa rentabilidade vem da prestação de serviços para o governo, de ser um agente de repasse de emendas parlamentares. Tudo isso é rentável, é precificado. Agora, é muito importante saber que temos uma estrutura diferente da de outros bancos. Somos talvez hoje a primeira, ou com certeza a segunda empresa técnica do País. Só tínhamos menos engenheiros que a Petrobrás. Que banco teria uma estrutura dessas para atender a essa demanda governamental? Essa estrutura é um grande apoio às políticas públicas do governo.

Mas os analistas de mercado criticam exatamente esse ponto. Citam, por exemplo, o Minha Casa Melhor, rejeitado pela própria área técnica da Caixa.

O fato de a Caixa ter feito não significa que teve prejuízo. Aplicamos os R$ 5 bilhões (de capitalização que o banco recebeu por tocar o programa) em tesouraria, remunerados pela Selic. O programa foi importante para a sociedade. Se for perguntar à família que teve o crédito, a que pagou e a que não pagou, foi fundamental. É uma questão de dignidade. No final, o governo disse que essa é uma situação que, ou teria de pagar tudo, dar os eletrodomésticos, ou suspender o programa por conta da situação econômico e financeira do Tesouro. Suspendeu.

O banco é obrigado a tocar qualquer programa de governo?

No passado, era assim. O governo mandava: faz aí. E, depois, tinha de aportar recursos no banco para ele não quebrar. Mudamos muito isso. É claro que todas as vezes que somos chamados para uma negociação com o governo levamos nossa necessidade. Tem discussão de tarifas, de repasses do que é contratado. Essa questão mudou na Caixa. Não dá para falar que um programa é ruim ou bom, mas está nivelado. Sabemos o custo de cada um. Indo para o mercado, temos uma decisão de onde atuar. Mas, quando somos chamados pelo governo para lançar um novo programa, participamos, discutimos a remuneração para ser o agente do programa. Botamos na mesa. O governo topou? Tem de pagar.

Qual a rentabilidade do Minha Casa para a Caixa, por exemplo?

Não sei. Mas precisamos separar a faixa 1 (onde há mais subsídios). As faixas 2 e 3 são condições de mercado. A inadimplência da faixa 1 não entra na nossa conta. A inadimplência das faixas 2 e 3 está dentro dos parâmetros de mercado, entre 2% e 3%.

O governo Temer pensa em uma eventual fusão da Caixa e do Banco do Brasil?

Nunca teve orientação nesse sentido. Não sei de onde saiu essa informação e qual o motivo. Posso afirmar que, em nenhum momento, nem o presidente nem o ministro Henrique Meirelles trataram desse assunto comigo.

As indicações políticas para cargos na Caixa comprometem o desempenho do banco?

O País também é voltado para a questão política. Votamos em todos os políticos. Você acha que sou uma indicação técnica ou política? Sou um funcionário com 36 anos na empresa, passei por vários lugares e tem a coincidência de ter uma relação política. Quem é que não tem relação política? O que se exige do profissional é que esteja alinhado com a política da instituição. Tenho certeza que na gestão do presidente Temer e do ministro Meirelles vamos procurar alinhar principalmente a parte técnica, da competência, e, se houver um viés político, não é demérito para ninguém. Vamos ter de conviver com essa situação, mas sempre com o objetivo de que haja profissionais técnicos, independentemente da sua filiação, vinculação e tudo mais. O grande interesse, mesmo da classe política, é que se coloque um profissional que possa desempenhar melhor seu papel na instituição.

O senhor repete que a Caixa não precisa de capitalização. E se as operações das três áreas não saírem, precisará em 2017?

Não vamos precisar de capitalização em 2016 e estamos trabalhando para não precisar em 2017. Temos uma série de ações, várias alternativas para não precisar. Depende da economia, do crédito, do retorno de dividendos ao Tesouro, das ações que estamos fazendo. Estamos construindo algumas alternativas para 2017 não precisar de capitalização, mas precisamos fechar com a equipe econômica. Precisamos desmistificar que aporte de capital é porque está quebrando. Já aconteceu no Banco do Brasil e na Caixa, que foram socorridos pelo governo federal. Aquele discurso não tem mais. Nosso trabalho hoje é um papel de banco público, de repassar uma parte dos dividendos e a outra integralizar para que o banco possa crescer.

Há esqueletos hoje na Caixa?

Com a governança de hoje, conselho diretor, conselho de administração, órgãos de controle, não há esqueletos. A direção e os funcionários têm o compromisso de zelar pela empresa e por seus nomes. Estamos trabalhando para melhorar a eficiência. Temos de reconhecer que a Caixa tem participação pública muito importante para a sociedade brasileira.

Os gastos de mais de R$ 100 milhões ao ano com patrocínio a clubes de futebol vão continuar?

Os estudos apontam que o retorno tem sido muito importante para a Caixa e devemos continuar com a política. Pedi uma avaliação para discutir com a área de marketing sobre como melhorar a eficiência desse investimento. Fico imaginando que, se sairmos, todo mundo vai sentir falta no domingo, na quarta, da imagem da Caixa nos gramados, como sentimos falta, na época, da Lubrax nas camisas do Flamengo. Hoje é Caixa. Precisamos ver como ampliar os negócios com os clubes para dar mais eficiência a esses negócios: cartão de crédito dos torcedores, um jogador desses ganha R$ 500 mil, tem um monte de dependentes, tem de olhar a visão sistêmica do negócio.

O sr. assume num momento de desaceleração do crédito. Esse movimento vai continuar?

A participação da Caixa no crédito comercial era pequena. Houve um trabalho planejado da diretoria de ter uma participação maior no mercado. Isso trazia junto uma aceleração das concessões. Crescemos na participação geral do crédito de 6%, em 2008, para 21%, agora. Mas não tem como crescer 30%, 40% todo ano. Chegamos num patamar que a Caixa elencou e, gradativamente, começamos a curva de declínio.

Mas o uso da Caixa como locomotiva do crédito foi uma decisão do governo dentro das medidas anticíclicas da crise de 2008/2009.

Não. Primeiro tivemos a decisão de que teríamos de ter participação maior no mercado antes mesmo da crise. Juntou com a oportunidade de ocupar espaço, com a desaceleração dos bancos privados na concessão do crédito. Mas foi feito dentro de um planejamento de crescimento e, depois, desaceleração. Os ativos do banco estavam na maior parte na tesouraria e a perspectiva era de um cenário de redução de juros. Com a desaceleração de concorrentes, ocupamos o espaço. Agora, nossa curva de desaceleração está coincidindo com a do mercado. Mas vamos manter a participação no mercado, continuando sendo o segundo maior na concessão de crédito.

Qual a previsão de crescimento do crédito neste ano?

A estimativa do banco está entre 7% e 10%. A projeção inicial era 8%, mas a avaliação é que vai ficar em 7,5%. Não depende apenas no banco. É preciso trabalhar a questão da inadimplência, da qualidade do crédito, da diversificação da carteira olhando as oportunidades. É bem provável que a economia, no último trimestre, vai ter tendência de crescimento. Estamos nos preparando para entrar nesta participação, principalmente em infraestrutura, que vai, neste primeiro momento, será o ponto que puxará o crescimento.

No processo de expansão, quais foram os principais acertos e erros?

A Caixa entrou em linhas que não tinha expertise, como crédito rural e financiamentos a grandes empresas. Não é considerar que foi um grande erro, foi um aprendizado. Continuamos forte na habitação, no consignado e crescemos muito na infraestrutura. Estamos focados nesse tripé. Quando se abre mais uma frente, é um aprendizado. A Caixa vai continuar sendo um grande banco de governo, um grande banco da habitação, de prestação de serviços, importante para o governo federal, para Estados e municípios. Não vamos deixar jamais esse viés.


Fonte: O Estado de S.Paulo

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Só 6% se planeja para a aposentadoria com planos de previdência privada

09/05/2016


Maioria dos aposentados do INSS (63%) ganha um salário mínimo e poucos investem; novas regras devem diversificar carteira da indústria


Enquanto quase 63% da população aposentada recebe do governo uma previdência pública de um salário mínimo, apenas 6% planeja complementar o benefício investindo em fundos de previdência privada. Para especialistas, a indústria ganhou fôlego em um período recente, nos últimos 20 anos, mas ainda é baixa a porcentagem de pessoas que consegue se planejar para o futuro.

A partir desta quarta-feira, porém, o mercado passará a contar com mais opções na indústria de previdência. Entrará em vigor a resolução 4.444 do Conselho Monetário Nacional (CMN), que permite que fundos de previdência do varejo comprem fundos de índice (os chamados ETFs), Certificados de Operações Estruturadas (COE) ou mesmo apliquem um porcentual de até 70% em ações (antes o limite era de 49%).



A medida é importante porque, segundo especialistas, um dos erros na hora de escolher a previdência é se considerar muito conservador. “Deve-se ter clareza dos objetivos. Se a pessoa quer realizar um projeto no curto prazo, talvez a previdência nem seja o produto ideal”, diz o superintendente de produtos da Brasilprev, Sandro Bonfim. Já se o interessado tem um prazo maior, pode buscar opções mais sofisticadas, fundos que não aplicam só em títulos de renda fixa.


O planejamento da aposentadoria tem ganhado importância no debate econômico. “Não só o Brasil, mas o mundo todo discute o ajuste previdenciário, a ideia do Estado como provedor de todo o benefício. Cada vez mais se caminha para um modelo no qual a previdência pública garanta um salário base e haja necessidade da complementação”, afirma o vice-presidente da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (FenaPrevi) e presidente da BrasilPrev, Paulo Valle.

Repensar o futuro se tornou necessário à medida que a expectativa de vida aumenta. “A notícia boa é que o jovem vai viver mais. A ruim é que, se não estiver preparado, não vai ter como arcar com os custos”, diz o superintendente de produtos de previdência da Icatu Seguros, Felipe Bottino. Gastos com saúde, por exemplo, que somam R$ 1 mil por ano para pessoas com menos de 18 anos, sobem para R$ 1 mil por mês para quem tem mais de 80 anos, aponta uma pesquisa do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS).

O arrependimento de não ter poupado mais vem depois. Oito em cada dez aposentados lamentam não ter guardado mais dinheiro, segundo estudo do HSBC.

A poupança, lembram especialistas, pode ser feita em outros produtos diferentes de fundos de previdência, desde que o investidor mantenha o hábito de aplicar constantemente. “Gosto da previdência privada no sentido da disciplina. Muita gente começa a fazer investimentos por conta própria para economizar a taxa de administração cobrada nos fundos, mas não mantém a regularidade. Inventam uma desculpa para parar”, diz o professor do Instituto Educacional da BM&FBovespa Arthur Vieira de Moraes.

Como escolher. Por ser um investimento indicado para o longo prazo, na previdência vale a regra de quanto mais cedo o início, melhor. Para ter R$ 1 milhão aos 60 anos, por exemplo, investindo a um juro real de 4,5% ao ano, seria preciso guardar R$ 586 por mês caso o plano fosse iniciado aos 15 anos. Se começar com 45 anos, a quantia sobe para R$ 3.915 por mês, calcula a BrasilPrev.

O custo dos planos é um dos pontos a serem observados. “Com os juros elevados, as pessoas ficaram menos preocupadas com a taxa de administração. Como a tendência agora é de queda, o investidor vai voltar a olhar melhor o custo”, diz o diretor da Rio Bravo, Julio Ortiz. No fundo de previdência de renda fixa, em geral com gestão mais passiva, recomenda-se que a taxa seja de, no máximo, 1% ao ano. Em fundos com uma gestão um pouco mais ativa, como multimercados, é aceitável pagar até 2%.

A taxa de entrada dos fundos hoje está quase extinta. A maioria não cobra mais a tarifa, que funciona como um pedágio na entrada do investimento: se for de 5% e o investidor aplicar R$ 100, por exemplo, na verdade só alocará R$ 95 no fundo. A taxa de saída ainda é cobrada em alguns planos, no momento do resgate. “É aceitável para inibir a saída no curto prazo, mas deve zerar em algum momento, senão penaliza a rentabilidade”, diz Bottino.

Taxas elevadas, porém, sempre devem ser contrastadas com o histórico de retorno do fundo. Por vezes, a taxa pode ser alta, mas o desempenho do gestor é muito acima da média do mercado. Histórico bom não é garantia de futuro rentável, mas é um indicador.

Como escolher um plano

1. Objetivo

Defina o que será feito com o dinheiro e em quanto tempo. Se pretender resgatar a quantia no longo prazo, a previdência que envolva um pouco mais de risco pode ser uma opção

2. Taxa de carregamento

A maioria dos fundos não cobra o pedágio de entrada. O ideal é pesquisar as alternativas

3. Taxa de administração

Para fundos conservadores, como os de renda fixa, cobrar 1,5% é o limite recomendado. Em carteiras que assumem um pouco mais de risco, o teto é 2%, indicam especialistas

4. Histórico de rentabilidade

Como o investimento em previdência dura alguns anos, recomenda-se observar se o gestor conseguiu no longo prazo bater semelhantes da categoria

5. De olho no mercado

Mesmo para quem já tem um fundo é indicado sempre olhar o mercado. Se achar produtos mais baratos e rentáveis, use a portabilidade de carteira

6. Planejamento tributário

Por oferecer benefícios fiscais, como abatimento da base de cálculo do Imposto de Renda, a previdência privada torna-se interessante somente se aliada a um planejamento tributário, defende parte do mercado


Previdência pode gerar economia de IR

Nos planos de previdência privada, o Imposto de Renda varia de zero a 35%; na renda fixa, a menor alíquota é de 15%



Se a primeira regra para o investimento em previdência privada é a aplicação com objetivos de longo prazo, o segundo conselho mais dado por especialistas é que os planos só devem entrar no radar dos investidores se forem acompanhados de um planejamento tributário. Com tarifas que variam de zero a 35%, a depender da tabela de Imposto de Renda escolhida, os planos devem ser selecionados cada vez mais com foco no prazo de resgate e no valor do benefício.

Se o modelo de previdência é o regressivo, quanto maior o tempo da aplicação, menor é o IR. A alíquota cai a 10% após dez anos de investimento. Já na progressiva, o que vale é o valor resgatado: quanto menor a quantia, menos imposto. Se o benefício for de até R$ 1.710, o investidor cai na faixa de isenção.

“Por vezes, o cliente nem terá a opção dos dois tipos de tabela, pois a indústria oferece mais a regressiva, mas é bom se planejar”, diz o superintendente de produtos de previdência da Icatu Seguros, Felipe Bottino, ao lembrar que a tabela regressiva é muito mais usual.

Ainda que caia na segunda faixa, dos 7,5%, o porcentual é menor que o mais baixo da tabela regressiva (10%). Quando comparadas a produtos de renda fixa, como fundos e títulos públicos, do ponto de vista tributário e pensando no longo prazo, ambas as tabelas oferecem vantagens. Isso porque, na renda fixa, o IR chega a no mínimo 15%, após dois anos de aplicação.

“Pode parecer fácil, mas não é tão trivial imaginar como será a sua vida e a sua renda daqui a 20 anos, quando se aposentar”, afirma o diretor da Rio Bravo, Júlio Ortiz, ao dizer que a pessoa pode contar com uma renda e ser surpreendido negativamente ou, pelo contrário, achar novas formas de remuneração e precisar sacar valores menores do que o imaginado.

Outro ponto para o qual especialistas chamam a atenção é quanto à opção entre o Plano Gerador de Benefício Livre (PGBL) e o Vida Gerador de Benefício Livre (VGBL). A sugestão é que o primeiro seja escolhido pelas pessoas que declaram o IR pelo modelo completo. Isso porque, das aplicações feitas, a pessoa pode abater até 12% da renda tributável. Ou seja, se recebeu R$ 100 mil de salário no ano e investiu R$ 12 mil em um PGBL, irá “declarar” R$ 88 mil à Receita.

Para investimentos acima de R$ 12 mil já vale a pena ir para o VGBL. Nesta opção, o IR é cobrado sobre o rendimento e não sobre o valor sacado, como é no PGBL. “O benefício de abatimento só é uma postergação do imposto”, comenta Ortiz. O VGBL é recomendado para a declaração simplificada de IR.

Fonte: Estadão – Yolanda Fordelone

Federação participa da 1ª Conferência Nacional dos Financiários

09/05/2016

Entre os dias 12 e 14 de maio, acontece a 1º Conferência Nacional dos Financiários, na sede da Contraf-CUT (Rua Libero Badaró, 158, 1º andar), em São Paulo.

O evento irá debater a organização da base sindical, estratégias e fechamento da minuta 2016-2017, além do calendário (definição de datas das assembleias, entrega da minuta e etc.). A Conferência contará também com três grupos de trabalho, que discutirão temas, como Emprego, Saúde, Condições de Trabalho, Remuneração e Igualdade de Oportunidades e terá ainda apresentação sobre o ramo financeiro e do DIEESE, sobre os números do setor, com base em dados fornecidos pelas entidades.

A Federação dos Bancários de São Paulo e Mato Grosso do Sul (FEEB-SP/MS) participará com os delegados Walmir Gomes (Seeb Santos), Cláudio Fasanaro (Sindiban Piracicaba) e Odair Balioni (SindBan Piracicaba). Jeferson Boava e Reginaldo Breda, vice-presidente e secretário geral da FEEB-SP/MS, respectivamente, também participam do evento.

Confira abaixo, a programação do evento.

1ª CONFERÊNCIA NACIONAL DOS FINANCIÁRIOS – SÃO PAULO, 12,13 E 14 DE MAIO DE 2016

12 de maio (quinta-feira)

18h - Abertura (CONTRAF/CUT e presidentes das Federações)

13 de maio (sexta-feira)

09h - Análise de conjuntura sobre o setor financeiro
11h - Exposição e debate sobre o Ramo
12h - Painel sobre organização dos financiários
13h - Intervalo para almoço
14h às 18h Trabalho em Grupos

Grupo 1 - Emprego e Remuneração;
Grupo 2 - Saúde, Condições de Trabalho e Igualdade de Oportunidades
Grupo 3 - Sistema Financeiro e Organização do Ramo

14 de maio (sábado)

09h – Apresentação dos relatórios dos grupos
10h – Encaminhamentos
13h – Encerramento

Mesa Temática Igualdade de Oportunidades discutiu licença-paternidade e Programa de Valorização da Diversidade

06/05/2016

Representante da Federação, Angela Savian avalia posicionamento da Fenaban


A mesa temática Igualdade de Oportunidades, formada pelo Coletivo de Gênero, Raça e Orientação Sexual (CGROS) e pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) discutiu dois temas na última terça-feira (03): licença paternidade de 20 dias e a criação de um Programa de Valorização da Diversidade.

Licença-paternidade

A reivindicação do movimento sindical é que a licença-paternidade, lei sancionada no ultimo dia 08 de março, seja incluída na Convenção Coletiva de Trabalhos (CCT) dos bancários. A Fenaban, porém, afirmou apesar de fazer parte do programa Empresa Cidadã, a isenção fiscal só passará a valer com a lei orçamentária que prevê o benefício para o exercício do ano seguinte. O assunto voltará a ser discutido na mesa de negociação da Campanha Nacional 2016.
A representante da Federação dos Bancários de São Paulo e Mato Grosso do Sul (FEEB-SP/MS) no CGROS, Ângela Savian avaliou a posição da Fenaban.

“Infelizmente eles vão aguardar para discutir na mesa única de negociação da Campanha Salarial para poder implantar só no ano que vem, sendo que já fazem parte da empresa cidadã e poderiam fazer isso, mas alegam que para terem isenção precisam entrar somente no orçamento do próximo ano. Mais uma vez ficamos para trás. Então esperamos que pelo menos na Campanha Salarial, eles incluam realmente e a partir do ano que vem possamos fazer com que a licença-paternidade seja efetivada para os trabalhadores bancários”

Programa de Valorização da Diversidade

A Fenaban realizou, conforme havia ficado combinado desde a primeira reunião do ano, em fevereiro, a apresentação de um conjunto de iniciativas feitas pelos bancos em relação ao Programa de Valorização da Diversidade.

Os representantes dos trabalhadores pressionaram por um debate mais amplo e aprofundado sobre cada tema. Serão discutidos no próximo encontro, dia 27 de julho os temas: pessoas com deficiência e combate ao racismo, cujo debate será pautado por contratações e ascensão na carreira profissional.
Em 10 de novembro, será abordada a temática LGBT e Mulheres.

“Com relação ao Programa de Valorização da Diversidade, faz bastante tempo que o movimento sindical vem reivindicando sua participação, por que o que eles têm feito ainda é insuficiente e queremos participar das elaborações, das pesquisas, dos trabalhos que vem sendo realizado dentro das agências para que realmente as pessoas, no caso, os negros e negras, as pessoas com deficiências, os transgêneros possam ter acesso aos bancos, que de fato hoje ainda não têm. Temos muitas pessoas muitas no mercado capacitadas para trabalhar dentro do sistema financeiro, diferentemente do que é alegado pelos bancos, mas o que falta é a oportunidade. Por isso é importante nossa participação nestas formulações, pois por mais que eles tenham realizado algumas iniciativas neste sentido, elas ainda são insuficientes, não têm surtido resultado. Nas agências e locais de trabalho continuamos não vendo aumento na contratação de negros, deficientes ou LGBTs, principalmente em cargos e ascensões”, conclui Ângela.


Fonte: Com informações da Contraf-CUT
Caixa Econômica lucra R$ 838 milhões no 1º trimestre; queda de 45,9%
09/05/2016
 
A Caixa Econômica Federal registrou lucro de R$ 838 milhões no primeiro trimestre, de acordo com o balanço financeiro divulgado nesta segunda-feira (9). O montante representa queda de 45,9% na comparação com o mesmo período do ano passado.

O índice de inadimplência caiu 0,04 ponto percentual e ficou em 3,51%, abaixo da média de mercado, que é de 3,55%. As despesas com provisão para crédito de liquidação duvidosa apresentaram recuo de 24,2% em 12 meses e 3,6% no comparativo ao trimestre anterior, totalizando R$ 3,8 bilhões.
As operações comerciais com pessoas físicas e jurídicas acumularam R$ 198,1 bilhões, alta de 3% em 12 meses.
Montante representa queda de 45,9% na comparação com o mesmo período do ano passado.

Já a captação geral da instituição teve saldo de R$ 921,1 bilhões nos primeiros três meses. A alta foi de 8,2% em 12 meses. O volume é suficiente para cobrir 134,6% da carteira de crédito. Esse resultado positivo foi influenciado pelos acréscimos de 18,3% no CDB (Certificado de Depósito Bancário), 14,8% nas letras de crédito imobiliárias, 10,9% nas emissões internacionais e 14,9% em Empréstimos e Repasses.

O número de clientes cresceu na comparação com os últimos 12 meses. Em março de 2016, o número de correntistas e poupadores somaram 83,5 milhões, representando, assim, avanço de 4,6%. Desse total, 81,2 milhões são pessoas físicas e 2,3 milhões, pessoas jurídicas.

Fonte: Jornal do Brasil


Texto disponível no site: www.feeb-spms.org.br

sexta-feira, 6 de maio de 2016

TST mantém decisão que impede retaliação a empregado que ajuizou ação contra a Caixa 

TST mantém decisão que impede retaliação a empregado que ajuizou ação contra a Caixa
A Subseção Especializada em Dissídios Individuais (SDI-2) do Tribunal Superior do Trabalho manteve decisão da 4ª Vara do Trabalho de Campinas (SP) que, em antecipação de tutela, determinou à Caixa Econômica Federal que não faça alteração no contrato de um empregado que ajuizou reclamação trabalhista. Embora não tenha ocorrido nenhuma alteração no contrato do autor do processo ou ameaças nesse sentido, a decisão teve como base atitudes da Caixa contra outros empregados, confirmadas em ações na Justiça do Trabalho.
O trabalhador obteve a antecipação de tutela alegando que, por ter ajuizado reclamação trabalhista contra a CEF com o contrato de trabalho em vigor, haveria o risco de que a CEF praticasse atos de retaliação, como rebaixá-lo de cargo, transferi-lo de agência ou reduzir sua remuneração. O pedido foi inicialmente indeferido, mas o empregado apresentou notícia extraída do site do TST em que foi mantida condenação em danos morais devido à destituição da gratificação de caixa executivo no mesmo dia em que a Caixa foi notificada de que ele havia ajuizado reclamação trabalhista, e o indeferimento foi reconsiderado.
Contra a decisão de primeiro grau, a Caixa impetrou mandado de segurança no Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região (Campinas-SP) sustentando, entre outros pontos, que a medida foi ilegal e arbitrária e representou interferência na gestão da empresa, ao impedir o exercício do poder diretivo inerente ao empregador. O TRT, no entanto, não constatou ilegalidade ou abuso na decisão.
TST
No recurso ao TST, a Caixa reiterou a tese de ingerência indevida e ofensa a seu direito líquido e certo, ao argumento de que a decisão não observou os requisitos necessários para a concessão da tutela, pois a impediu de "praticar qualquer alteração nas condições do contrato de trabalho, como por exemplo, no que tange às funções, local de trabalho, períodos de descanso anual (férias) ou qualquer outra que possa ser considerada prejudicial na avaliação exclusiva e subjetiva do trabalhador". Afirmou, ainda, a inexistência de prova inequívoca de que teria promovido atos de perseguição ou assédio moral contra empregados que ajuizaram reclamação trabalhista.
O relator do recurso, ministro Vieira de Mello Filho, destacou que a existência de ações trabalhistas demonstrando atos retaliatórios por parte da Caixa são suficientes para caracterizar o perigo de dano contra o empregado. "A decisão regional descreve a reiterada ação empresarial em demandas que, inclusive, já foram examinadas por esta Corte", afirmou. "De mais a mais, esta Corte nutre reverência irrestrita ao direito do trabalhador de reclamar judicialmente contra as violações dos seus direitos laborais com expressas garantias em face de repulsivas medidas de retaliação empresariais que ameacem ou coajam dificultando o livre acesso ao Judiciário, inviabilizando a atuação jurisdicional", concluiu.

Fonte: TST