sexta-feira, 9 de junho de 2017

Oposição pressiona e governo adia calendário da reforma trabalhista





Depois de ter conquistado uma vitória com a aprovação da reforma trabalhista na primeira comissão do Senado, o governo não conseguiu dar o passo seguinte no prazo em que desejava.

A leitura do relatório da proposta na CAS (Comissão de Assuntos Sociais), prevista para esta quinta-feira (8), foi adiada para a próxima semana após pressão de senadores da oposição. Na terça-feira, a proposta foi aprovada pela CAE (Comissão de Assuntos Econômicos).

Antes do início da reunião desta quinta, os parlamentares da oposição alegaram que a proposta teria de ter sido incluída na pauta da comissão dois dias antes.

O líder do governo no Senado, Romero Jucá (RR), concordou que a leitura ocorra na próxima terça-feira (13). Ao costurar o acordo, ele garantiu, contudo, que o novo calendário possibilite que a proposta seja colocada em votação no plenário ainda no mês de junho. O Palácio do Planalto quer que o texto seja aprovado antes do recesso parlamentar, que ocorre em julho.

"Há um posicionamento dos partidos de oposição solicitando que não fosse lido hoje [quinta]. Construímos um acordo de calendário. Lemos relatório na próxima terça [13], votamos na terça seguinte [20] e, no dia seguinte [21], lemos na CCJ. Na quarta seguinte [28], votamos na CCJ [Comissão de Constituição e Justiça] pela manhã", afirmou.

Dessa forma, segundo Jucá, a matéria pode ir a plenário na próprio dia 28, se o presidente da Casa, Eunício Oliveira (PMDB-CE), decidir colocá-la na pauta.

Alinhado com o governo, Eunício Oliveira abriu caminho para que a reforma não precise passar pela CCJ ao afirmar que o importante é que a proposta passe pelas comissões de mérito –CAE e CAS– e que o parecer pela constitucionalidade, que é atribuição da CCJ, pode também ser lido no plenário do Senado.

"O senador Romero Jucá quer apressar tudo para dizer que as reformas estão andando. A discussão é essa", afirmou o senador petista Lindbergh Farias (RJ), ao defender que a leitura ocorra na próxima semana.

O senador Paulo Paim (PT-RS) afirmou que o acordo de calendário é "positivo para boas relações" no Senado, independente do resultado da votação.




Por LAÍS ALEGRETTI, TALITA FERNANDES - Folha de S. Paulo
 

Brasil é denunciado na OIT

09/06/2017




As centrais sindicais brasileiras Central dos Sindicatos Brasileiros – CSB, Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil – CTB, Central Única dos Trabalhadores – CUT Brasil, Força Sindical, União Geral dos Trabalhadores – UGT e Nova Central Sindical de Trabalhadores – NCST presentes na 106ª Conferência Internacional do Trabalho da Organização Internacional do Trabalho – OIT vêm a público esclarecer sobre a inclusão do Brasil na lista de casos de países que violam normas internacionais do trabalho.

Este ano o Brasil consta da “lista longa” de 40 casos por violar a convenção 98 da OIT que trata sobre o direito de sindicalização e de negociação coletiva. Porém o caso brasileiro não foi incluido na chamada “lista curta” dos 24 casos a serem analisados na Comissão de Aplicação de Normas da OIT nesta Conferência.

A denúncia que as centrais brasileiras fizeram ecoou na Comissão de Aplicação de Normas da OIT, tendo amplo apoio de organizações de trabalhadores de diversos países. Além disso, o caso não será arquivado, como falsamente foi divulgado pela imprensa. Pelo contrário, ele será retomado em qualquer um dos órgãos de controle da OIT e caso o projeto de lei de reforma trabalhista seja aprovado, se consolidará como nova denúncia na próxima Conferência da OIT em 2018.

A OIT é uma organização tripartite e a inclusão na lista de casos a serem analisados é feita sempre por consenso entre as representações de todo o mundo. A posição defendida pelo setor patronal e o governo brasileiro em conjunto com o capital internacional para que o Brasil não entrasse na lista de casos da OIT deste ano comprova a estratégia de desregulação e precarização das relações de trabalho no Brasil e no mundo, estratégia que tem sido constantemente denunciada pelas centrais brasileiras e confederações sindicais internacionais.

Diferentemente do que disse o relator da proposta de reforma trabalhista, deputado federal Rogério Marinho (PSDB), em Genebra, Suiça e divulgado pela imprensa brasileira, a OIT, por meio da Comissão de Peritos e do seu Departamento de Normas declarou que a proposta de reforma trabalhista infringe, sim, as Convenções 98, 151 e 154, ao prever que negociações entre patrões e empregados se sobreponham a lei.

Vale destacar que frente ao grave cenário de ataques a direitos sociais, trabalhistas e sindicais, as centrais brasileiras convocaram um ato público e unitário para o dia 12 de junho, às 18 horas, em frente à Organização das Nações Unidas – ONU na Place des Nations em Genebra, Suiça ainda no marco da Conferencia Internacional do Trabalho da OIT. O ato denunciará os ataques aos direitos da classe trabalhadora, a organização sindical e a crescente violência promovida pelo Estado brasileiro.

Central dos Sindicatos Brasileiros – CSB

Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil – CTB

Central Única dos Trabalhadores – CUT Brasil

Força Sindical

União Geral dos Trabalhadores – UGT

Nova Central Sindical de Trabalhadores – NCST

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Dificuldade marca a aprovação do texto da reforma trabalhista, no Senado


08/06/2017 

Uma vitória apertada sinalizou que o governo está perdendo as forças: por 14 votos favoráveis e 11 contrários, em nove horas de debates, foi aprovado o relatório do senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES) favorável ao projeto de lei da Câmara (PLC) 38/2017, na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, em 6 de junho de 2017. Ficou evidenciada a dificuldade da base governista em implantar a reforma trabalhista, que ainda deverá enfrentar longa jornada até a votação em plenário. A matéria terá de ser analisada na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) e precisará ser discutida na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ).

O texto do relator foi aprovado na íntegra, sem mudanças em relação ao parecer aprovado pela Câmara dos Deputados, no fim de abril. O relator afirmou espera que o PLC seja votado no plenário do Senado entre os dias 20 e 23 de junho.

Na maior parte do tempo gasto com a discussão da matéria, os senadores da oposição criticaram duramente o PLC 38/2017 e também ouviram críticas dos senadores da base governista, que demonstraram insatisfação com a proposta. Um deles foi o líder do PMDB, senador Renan Calheiros (AL), que acusa a reforma de flexibilizar os direitos trabalhistas e ter o poder de aprofundar a recessão da economia brasileira, pois, para ele, o custo do trabalho não é o principal custo da produção.

CRÍTICAS DE TODOS OS LADOS
A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) condenou a aprovação do trabalho intermitente, que fará com que o trabalhador ganhe menos e perca o direito a férias. Vanessa Grazziotin, do PCdoB/AM, acusou a reforma de ser “uma muleta para Temer permanecer no cargo” e defendeu a modificação do texto original.

Também o senador Paulo Paim (PT-RS) vê na reforma trabalhista um caminho para injustiças, pois não deu ouvidos às sugestões levadas por autoridades e entidades, como os ministros do Tribunal Superior do Trabalho (TST), as centrais sindicais, as associações de magistrados e os procuradores da Justiça do Trabalho. Paim disse não ter visto nenhum senador defender a reforma trabalhista na CAE, nem no plenário.

Para os oposicionistas, o relatório do senador Ferraço só ouviu os empresários e e provocará a duplicação do número de trabalhadores terceirizados nos próximos cinco anos, conforme protestou o senador Lindbergh Farias, do PT-RJ.

Até a senadora Kátia Abreu (PMDB-TO), que integra a base do governo, não poupou críticas à cláusula do trabalho intermitente, à hora de almoço de apenas 30 minutos. A parlamentar acha que o que o Senado deve manter apenas o que ela considera de “parte boa da reforma”, já que o Senado é uma casa revisora.

“TRAIÇÃO AOS PRINCÍPIOS SAGRADOS”
O senador Roberto Requião (PMDB-PR) acusou o projeto de alterar 102 artigos e 339 dispositivos da CLT. Para ele, “com um mínimo de responsabilidade, paralisaríamos essa votação”, por ser “uma traição aos princípios mais sagrados da convivência humana, sob um regulamento público”.

Já o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) afirmou que a reforma trabalhista não vai ajudar na criação de empregos e poderá tornar o mercado de trabalho “completamente vulnerável”.

Um dos mais ativos defensores da aprovação do PLC 38/2017 foi o líder do governo no Senado, senador Romero Jucá (PMDB-RR). Para ele, votação das reformas independe da gravidade da crise política e que as investigações sobre o governo não podem barrar os avanços que o Brasil está colhendo. A Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de inquérito para investigar o senador Romero Jucá (PMDB-RR), suspeito de ter recebido dinheiro público e, portanto, ter cometido crimes de peculato e corrupção passiva.

DESFIGURAMENTO DA CLT
O texto aprovado possibilita a prevalência do “acordado sobre o legislado”, o fim da contribuição sindical obrigatória e da ajuda do sindicato na rescisão trabalhista, e a regulamentação do teletrabalho, com prestação de serviços fora das dependências do empregador.

A reforma trabalhista também permite a extinção do contrato de trabalho por acordo entre empregado e empregador, o que dará direito ao recebimento de metade do aviso prévio e da indenização sobre o saldo do FGTS; revoga o artigo da CLT que condiciona a validade da rescisão do contrato de trabalho à homologação do sindicato ou da autoridade do Ministério do Trabalho; e acaba com a obrigação de a empresa pagar ao trabalhador a chamada hora in itinere, ou seja, o tempo despendido pelo empregado desde a sua residência até a efetiva ocupação do posto de trabalho e para o seu retorno, com transporte fornecido pelo empregador, entre outros pontos.

O parecer promove a maior alteração à Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) desde a sua criação, pelo Decreto-Lei 5.452/1943. Segundo a senadora Fátima Bezerra (PT-RN), são alterados 97 artigos e 320 dispositivos da CLT, cinco artigos e 13 dispositivos da Lei do Trabalho Temporário (Lei 6.019/1974) e um dispositivo da Lei do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), além de cinco dispositivos da Lei 8.212/1991, o regime jurídico dos servidores públicos.

Demissões em massa e jornada de trabalho são pauta de grupos de trabalho do Itaú

Banco envia carta aos trabalhadores com interesse em discutir tópicos da Reforma Trabalhista

07/06/2017
Jaílton Garcia
Jaílton Garcia
Funcionários do Banco Itaú se reuniram, nesta quarta-feira (7), no Hotel Braston, em São Paulo, para debater os assuntos que envolvem a classe trabalhadora diante da conjuntura política e econômica atual. Os trabalhadores se dividiram em três grupos para definir estratégias sobre emprego, saúde e condição de trabalho e impactos das novas tecnologias.
O presidente da Contraf-CUT, Roberto von der Osten, iniciou o debate ao reafirmar a importância da luta pelo emprego. “Temos um desafio, nossa COE (Comissão de Organização dos Empregados) vai começar a fazer o debate do centro de realocação e qualificação. É uma tentativa para evitar que o banco continue fazendo o que ele faz hoje. Quando um setor evolui tecnologicamente e as pessoas não tem conhecimento, o banco demite os trabalhadores para contratar novos. Estamos tentando a recolocação ou qualificação das pessoas para que possam permanecer no emprego. Nossa luta é por emprego.”
O grupo de trabalho aproveitou a carta enviada pelo Banco Itaú a todos os trabalhadores, no dia 19 de abril, para apresentar novas propostas a serem utilizadas nas próximas negociações. Na carta, o banco manifesta interesse na discussão sobre jornada de trabalho, bem como finais de semana, escalas de folga, intervalo de descanso e refeição, intervalo mulher e jornada flexível.
Para Adriana Nalesso, presidente do Sindicato dos Bancários do RJ e uma das coordenadoras da mesa, há uma pressão do banco para colocar em pauta as mudanças da Reforma Trabalhista. “O Itaú apresentou a pauta sobre as ações coletivas e destacou que deve ser priorizado o dialogo antes do ajuizamento nas ações em andamento. ”
Na carta ainda, foram citadas questões sobre condições de trabalho como ambiente e readaptação, e o perfil do bancário de acordo com as novas tecnologias. Segundo Jair Alves, coordenador da COE do Itaú, a importância do debate é tirar uma frente de ações. “Temos que pensar numa estratégia para combater as demissões que estão acontecendo no banco ao mesmo tempo em que se discute também a Reforma Trabalhista”, afirmou.
Com os avanços tecnológicos, muitas agências se tornaram digitais e isso dificulta o acesso dos sindicatos aos locais de trabalho. “Queremos discutir a jornada de trabalho dos profissionais das agencias digitais e as condições de trabalho. Recebemos sempre vários relatos desses setores de que há excesso de jornada e adoecimento dos trabalhadores”, revelou Jair Alves.
O grupo de trabalho de Saúde do Itaú foi criado há 9 meses e discutiu pontos importantes que interferem na vida do trabalhador como: retorno ao trabalho e abertura de CAT “Já tivemos muitos avanços nos assuntos em nossas negociações com o banco e agora vamos focar na discussão da clausula 57”, explicou Jair Alves.
O encontro dos funcionários do Itaú continua nesta quinta-feira (8).
Fonte: Contraf-CUT

Funcionários do Bradesco definem estratégias para próximo período

Continuação do Encontro Nacional dos funcionários do banco privado teve divisão em grupo de acordo com o tema

07/06/2017
Jaílton Garcia
Jaílton Garcia
O Encontro Nacional dos Funcionários dos Bancos Privados continuou, na tarde desta quarta-feira (7), com a divisão dos participantes por bancos. Os funcionários do Bradesco, locados no hotel São Raphael, assistiram uma apresentação do Dieese sobre o emprego no banco e no setor como um todo.
Bárbara Vallejos Vazquez, economista da subseção do Dieese da Contraf-CUT, acredita que há a necessidade de olhar para o emprego bancário de uma maneira mais profunda. “Com uma mudança de visão, podemos fazer um melhor enfrentamento contra as estratificações e as reestruturações que os bancos têm imposto. Quando se fala do emprego no Bradesco, não falamos só de bancários, mexemos com os trabalhadores de toda a holding. Por isso, precisamos analisar o ramo financeiro como um todo.”
Sobre o alto índice de demissões, ela acredita que os bancos privados já fizeram os ajustes necessários no quadro de funcionários e agora chegou a vez dos bancos públicos aderirem essa prática. “Os bancários são uma categoria muito criativa, sempre acham soluções para os desafios que surgem. O emprego é o desafio da vez, temos de criar soluções para mantê-lo.”
Bárbara também abordou o aumento nos pedidos de demissões e nas homologações de demissões sem justa causa, desde a compra do HSBC. “Esses dados são preliminares. Precisamos da colaboração de todos os sindicatos para melhorarmos o processo de coleta de dados até que eles sirvam como base de ações efetivas no combate às demissões e por melhores condições de trabalho.”
Antes da divisão em grupo, houve uma retrospectiva das principais conquistas da Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Bradesco no último ano. “É importante relembrar o que já fizemos. Agora é hora de nos concentrar no futuro, pois nós temos que pensar em todas as estratégias possíveis para garantir a manutenção dos direitos que a gente conquistou depois de toda luta. E esse é o papel deste encontro, é aqui que definimos nossos objetivos e traçamos as estratégias para conquista-los”, avaliou Gheorge Vitti, coordenador da COE Bradesco.
A plenária final será realizada nesta quinta-feira (8).


Fonte: Contraf-CUT

Mudanças na legislação e nas relações de trabalho já atingem bancários do Santander

Impactos são ainda maiores em decorrência do uso das novas tecnologias pelos bancos

07/06/2017
Jaílton Garcia / Contraf-CUT
Jaílton Garcia / Contraf-CUT
Os bancários do Santander discutiram nesta quarta-feira (7), em São Paulo, durante o Encontro Nacional dos Funcionários de Bancos Privados, como as novas tecnologias, a Lei da Terceirização e a reforma trabalhista, se aprovada, vão impactar no emprego e nas relações de trabalho no banco e como o movimento sindical pode reduzir os prejuízos para a classe trabalhadora.
Para subsidiar a discussão, a economista Catia Uehara, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sociais (Dieese) fez uma apresentação sobre o balanço do Santander do primeiro trimestre de 2017, e a presidenta da Uni-Finanças, Rita Berlofa, trouxe informações sobre o “futuro do mundo do trabalho”.
“No Brasil, o Santander, assim como os demais bancos privados, teve um resultado bastante positivo apesar da recessão econômica. No primeiro trimestre de 2017, obteve o melhor resultado desde 2013, No entanto, continuou reduzindo postos de trabalho”, disse a economista.
Segundo dados do balanço do primeiro trimestre de 2017 do Santander, divulgado no final de abril, o banco lucrou R$ 2,280 bilhões nos três primeiros meses do ano, o que representa um crescimento de 37,3% em relação ao mesmo período de 2016 e de 14,7% em relação ao trimestre anterior. Já nos postos de trabalho, houve uma redução de 3.245 vagas nos 12 meses entre março de 2016 e março de 2017.
A presidenta da Uni-Finanças trouxe informações sobre a Watson e a Amélia, plataformas tecnológicas capazes de armazenar todas as informações do mundo e de realizar tarefas sem a necessidade da interação humana, reforçando as apresentações sobre novas tecnologias realizadas na manhã desta quarta-feira no Encontro Nacional dos Funcionários de Bancos Privados. Rita ressaltou que, com o uso da tecnologia, muitas empresas que nada produzem, se tornaram as maiores do mundo em seus segmentos praticamente sem funcionários e sem propriedades. “A Uber se tornou a maior empresa de taxi do mundo, sem possuir sequer um carro. A Airbnb e a Couch Surfing são as maiores empresas de hospedagens do mundo, mas não possuem sequer um hotel. Quantas pessoas essas empresas empregam? Praticamente nenhuma”, alertou.
Algumas das conseqüências da precarização do emprego e das relações de trabalho e do uso das novas tecnologias pelos bancos já podem ser percebidas no Santander. “O banco está tirando funcionários das agências e criando grupos que gerenciam as contas digitais pelos call centers, aumentando o trabalho home office e contratando terceirizados para prospectar contas. Isso traz como conseqüência a redução de postos de trabalho, de salários e de direitos, inversamente proporcional ao aumento da intensidade de trabalho, da pressão pelo cumprimento de metas e dos casos de doenças entre os funcionários. Os lucros dos bancos, como vimos, aumenta ainda mais, mesmo em tempos de recessão, como a que estamos vivendo”, afirmou Maria Rosani, coordenadora da Comissão Organizativa dos Empregados (COE) do Santander.
Trabalho em grupos
Após as contribuições, os bancários debateram sobre formas para tentar barrar as reformas trabalhista e da Previdência, que tramitam no Congresso Nacional, e para reduzir os impactos do uso das tecnologias pelos bancos. Além de questões específicas do Santander. Os trabalhos serão concluídos nesta quinta-feira (8), quando cada um dos bancos apresentará um relatório para a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e para a COE de cada uma dos bancos.


Fonte: Contraf-CUT

Reforma trabalhista e tecnologia impactam emprego e perfil dos trabalhadores

Impactos são desastrosos para a categoria

07/06/2017
Jailton Garcia / Contraf-CUT
Jailton Garcia / Contraf-CUT
As economistas Regina Camargos e Catia Uehara, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sociais (Dieese), e o professor Moisés Marques, da Faculdade 28 de Agosto, abriram sua apresentação no Encontro Nacional dos Funcionários dos Bancos Privados, nesta quarta-feira (7), mostrando os prejuízos que a reforma trabalhista pode causar à categoria caso seja aprovada pelo Congresso Nacional. Outros prejuízos à categoria, também tratado pelas economistas e pelo professor, são aqueles que podem ser causados pelas novas tecnologias.
“Hoje é o dia D da aprovação da reforma trabalhista na comissão de assuntos econômicos do Senado. E ontem eles mostraram que devem passar, como um rolo compressor, sobre direitos adquiridos em lei e por tratados internacionais que tratam dos interesses dos trabalhadores”, disse Regina Camargos, lembrando que o Projeto de Lei 38/2017 (Reforma Trabalhista) altera cerca de 200 dispositivos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e derruba várias súmulas do TST que continham interpretações favoráveis aos trabalhadores. Entre elas, a Súmula 277 que previa a prorrogação indefinida do prazo de vigência dos acordos e convenções coletivas até que novos fossem celebrados. “É um verdadeiro desmonte das leis trabalhista”, completou.
De acordo com Regina Camargos, trata-se de um desmonte da concepção capital-trabalho, que é uma relação desigual entre empregadores e trabalhadores. “Como disse um certo barbudo (Karl Marx), o trabalhador tem somente sua força de trabalho para vender, numa economia capitalista, por isso os trabalhadores devem ser protegidos”, lembrou a economista.
Desmonte causado pelo PLC 38/2017
Regina Camargos disse que o Dieese disponibiliza diversos materiais que tratam dos prejuízos da reforma trabalhista ao trabalhador, mas resumiu os impactos nos seguintes pontos:
O PLC 38/2017:
a) Revoga o princípio segundo o qual o trabalhador é o elo frágil na relação de emprego e por isso precisa ser protegido;
b) Reduz a participação do Estado e do sindicato nas relações de trabalho e reforça a negociação individual direta entre empresa e trabalhadores;
c) Reduz o poder de representação e contratação coletiva dos sindicatos;
d) Autoriza o rebaixamento de direitos previstos em lei por meio da negociação (prevalência do negociado sobre o legislado);
e) Amplia os contratos atípicos e precários e cria o trabalho intermitente;
f) Cria dificuldades para o acesso dos trabalhadores à Justiça do Trabalho e limita seu poder;
g) Protege as empresas, inclusive em caso de reclamações trabalhistas.
Impactos da reforma na categoria
1. Remuneração: parcelamento da PLR em três vezes; não incorporação de gratificações devido à ocupação temporária de cargo de chefia/ comissionado; possibilidade de aumento da parcela variável da remuneração, hoje limitada a 50%;
2. Jornada: aumento do limite diário sem necessidade de pagamento de hora-extra; compensação de banco de horas em até seis meses e sem necessidade de acordo formal; possibilidade de adoção da jornada 12hx36h;
3. Formas de contratação precárias: terceirização sem limites; contrato temporário; contrato intermitente; tele trabalho mediante regras informais; PJotização;
4. Estrutura da negociação coletiva: acordos por banco prevalecendo sobre a CCT; negociação individual para quem ganha acima de R$ 11 mil;
5. Parcelamento das férias em três períodos.
      > Acesse a íntegra da apresentação sobre a reforma trabalhista
Reestruturação e emprego nos bancos
A reforma trabalhista afetará o emprego no setor financeiro, mas não é a única ameaça à categoria. Catia Uehara lembrou que os bancários já veem sofrendo, faz alguns anos, com a implantação do “novo” modelo bancário, que tem a tecnologia como base, traz impactos significativos no número de empregos e no perfil dos trabalhadores.
“Estão chamando a implantação de novas plataformas tecnológicas de ‘quarta revolução industrial’. É a utilização da internet com a interação dos usuários”, explicou a economista, ao ressaltar que hoje já está consolidada a utilização do mobile bank entre os clientes.
De 2015 para 2016, houve um aumento de 27% no número de transações bancárias digitais, que representam cerca de 1/3 das transações, chegando a 70% das transações do Itaú e do Santander. Uma pesquisa da Ernest & Young mostra que 15,5% dos clientes bancários já utilizam as novas tecnologias para realizar suas transações bancárias.
“É uma ruptura digital, que une a redução do custo para os bancos e as taxas pagas pelos clientes com a maior agilidade e praticidade”, ressaltou o professor Moisés Marques, da Faculdade 28 de Agosto.
Os bancos veem investindo na implantação de novas plataformas tecnológicas. Levantamento do Dieese mostram que os bancos investiram R$ 18 bilhões em novas tecnologias no ano de 2016. No ano anterior o investimento já havia sido em níveis semelhantes (R$ 19 bilhões).
“Isso significa que a tecnologia é algo muito importante para os bancos, com o objetivo de reduzir custos. A consequência é a diminuição das vagas de emprego”, afirmou Catia. “A utilização de novas tecnologias pelos bancos é uma realidade que já está posta. Nosso desafio é reduzir os impactos na categoria e nas relações de trabalho”, concluiu.
      > Acesse a íntegra da apresentação do Dieese sobre o uso da tecnologia pelos bancos
      > Acesse a íntegra da apresentação do professor Moisés Marques

Fonte: Contraf-CUT